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    José Matias -

    Eça de Queiroz

    7 Letras
    2006
    61 páginas
    2h 2m
    ISBN-11: 8575772651_
    Português Brasileiro
    3.5
    45 avaliações
    Leram99Lendo9Querem22Relendo1Abandonos0Resenhas6
    Favoritos4Desejados22Avaliaram45

    O conto começa a ser narrado quando um professor de Filosofia aguarda o enterro do José Matias, "um rapaz airoso", "louro como uma espiga", "destro cavaleiro", "duma elegância sóbria e fina", e que terminara, numa das últimas vezes em que fora visto pelo narrador, "metido num portal da Rua de S. Bento", "[cheirando] abominavelmente a aguardente". Por fim, este que vão enterrar "é um resto de bêbedo, sem história e sem nome". José Matias amara Elisa Miranda, esposa do conselheiro Matos Miranda, já velho e diabético. Quando este morre, quando todos pensam que -cumprido o período habitual de luto -será então a hora de Elisa e José Matias se casarem, José Matias vai para o Porto, e de lá só retorna depois que sua amada, cansada de esperar, casa-se com o proprietário Torres Nogueira. Aí sim José Matias retorna à casa vizinha, para adorar "a divina Elisa". Nova viuvez de Elisa, e o José Matias some de novo. Só reaparece, quando ela já tem um amante... Sim, José Matias não quer casar. É curioso que o século XIX venha se fechar, nas literaturas de língua portuguesa, com este conto de Eça, de 1897, e com o Dom Casmurro, de Machado de Assis, publicado em 1899, dois admiráveis testemunhos da perplexidade do homem diante da mulher. Depois do José Matias e de Bentinho, pudemos entender que o século que então vinha se encerrando também era destes dois tristes homens, que se vitimam na renúncia ao desejo.

    Resenhas (6)Ver mais
    Luiz Fernando Costa picture
    Luiz Fernando Costa08/08/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Duplicidade do amor

    "José Matias" é o segundo conto de Eça de Queirós que eu leio. Muito instigante! Novamente temos a influência do Romantismo nas ações da narrativa, como se é de esperar pelo contexto da história. No entanto, o autor trata de um aspecto diferente, ao colocar o protagonista em um estado alheio ao "senso comum". José Matias, um personagem já apresentado como morto nas primeiras linhas (o narrador conta a história do sujeito ao mesmo tempo em que nos informa que o protagonista está sendo carregado por ele em um caixão, olha que loucura!), se apaixona por uma vizinha casada, e se torna amante desta pela "alma", ou seja, pela contemplação da amada à distância, em um amor puro, virginal. Enquanto isso, a amada se envolve com o marido e com um posterior amante em um amor "carnal".

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.5 / 45
    • 5 estrelas16%
    • 4 estrelas24%
    • 3 estrelas47%
    • 2 estrelas13%
    • 1 estrelas0%
    José Maria de Eça de Queiroz profile picture

    José Maria de Eça de Queiroz

    José Maria de Eça de Queiroz nasceu em Póvoa do Varzim, norte de Portugal, de pais que não eram casados – só o fariam quatro anos depois. Essa situação, escandalosa para a época, talvez tenha contribuído para a visão profundamente crítica à moral da classe média portuguesa que o escritor imprimiu à sua obra. Eça ingressou aos 16 anos na Universidade de Coimbra, de onde saiu formado em Direito. Nesse período reuniu-se a outros jovens literatos, como Antero de Quental, que formaram o grupo conhecido como a Geração 70. Mudou-se para Lisboa, seguindo uma carreira de jornalista que continuaria em Évora e em sua volta para a capital. Em folhetins e na poesia, havia até então sido um adepto do Romantismo. Contudo, na volta a Lisboa, tomou parte no grupo de intelectuais conhecido como <i>O Cenáculo</i>. Sob a influência do escritor Gustave Flaubert e do teórico anarquista Pierre-Joseph Proudhon, aderiu ao Realismo. Em 1870, publicou, em parceria com Ramalho Ortigão, o romance <i>O mistério da estrada de Sintra</i>. No mesmo ano ingressou na carreira diplomática e, dois anos depois, assumiu o posto de cônsul em Havana – seguida por cidades europeias. Em 1895, sob a influência do Naturalismo, publicou o romance <i>O crime do padre Amaro</i>, que provocou protestos da Igreja e de setores da sociedade. Três anos depois, <i>O primo Basílio</i> teve recepção semelhante, apesar do sucesso de vendas. Em 1888 saiu <i>Os Maias</i>, romance considerado sua obra-prima. Parte da extensa obra do escritor, como o romance <i>A cidade e as serras</i>, veio à luz postumamente. Eça, que deixou quatro filhos, morreu em Paris, de tuberculose.

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    José Maria de Eça de Queiroz