Pode um livro sobre separação ser fundamentalmente um livro sobre o amor? Manual do bom divórcio prova que sim. Apesar de separação ser um tema que em geral evoca sentimentos de dor e tristeza, esse é um guia extremamente amoroso e otimista, dedicado não só a quem está pensando em se divorciar ou está no meio do turbilhão, mas também a quem está prestes a se casar e deseja saber quais são as opções legais disponíveis para evitar possíveis problemas no futuro. Fugindo de termos jurídicos que soam estrangeiros para quem não é do ramo, Manual do bom divórcio usa uma linguagem simples e objetiva, sempre levando em conta que, além da parte jurídica e burocrática, há uma família envolvida em todo o processo, com suas personalidades, anseios, frustrações e esperanças. A autora, Diana Poppe, é uma das maiores especialistas em Direito de Família do Brasil, responsável por centenas de divórcios que se transformaram em finais felizes. Ela parte do princípio de que toda relação possui um patrimônio que não pode ser destruído nem na separação, nem na tentativa de mantê-la: a felicidade dos filhos, a história vivida, tudo aquilo que se construiu junto. A dor da derrota, a ameaça da solidão, o amargor do sentimento de traição (nem sempre real, nem sempre física) não podem ser ignorados, mas não devem ser transformados em mais sofrimento e perdas e, sim, em um grande aprendizado. Diana usa exemplos de casos que acompanhou ao longo de seus anos de prática como advogada de família e dá dicas de filmes, músicas, livros e poemas que podem ajudar quem está enfrentando uma separação. O leitor também encontrará um guia para avaliar se o divórcio é mesmo o melhor caminho para determinadas relações e que opções legais os novos casais tem à sua disposição para legitimar sua união. Tudo isso com o aconchego e o cuidado de uma profissional que aprendeu a ver o ser humano por trás de contratos, acordos e litígios muitas vezes desnecessários.
Manual do Bom Divórcio -
Diana Poppe
Edições (1)
Ver maisAlgumas dicas e boas reflexões
Livro curto e fluido. Traz um pouco da história do litígio no Brasil e ressalta a importância e responsabilidade de quem optou por advogar nesta área. A narrativa é sensível e traz boas reflexões sobre esse delicado momento. Por a autora ser advogada especializada no assunto, me frustou um pouco a superficialidade das orientações técnicas. "Se a companhia que está ao seu lado não tornar sua vida melhor, caminhe sozinho, porque a existência já é suficientemente dura por si só" "Quando não é mais capaz de citar nenhuma razão para estar junto, o casal deve se separar. O casamento não pode ser uma prisão. Ele deve tornar a vida melhor." "A responsabilidade pela tomada de decisão pode ser um grande fardo, então confie em você e na sua intuição, mas tenha certeza que acabou." "Acontece que você faz parte de uma família. Até que ponto sua insatisfação pessoal deve se sobrepor aos interesses das pessoas que você mais ama? Essa decisão pode parecer egoísta, mas não é. O todo precisa das partes, caso contrário ele já não existe, passa a ser apenas um arremedo do todo que não faz bem a ninguém." "Para seu filho estar bem, você precisa estar bem, portanto, fique bem primeiro, e ele ficará bem depois - como as instruções de emergência nos aviões sobre as máscaras de oxigênio: primeiro ponha em você, depois ajude a criança ao lado." "Como contar aos filhos? Resposta correta, simples e óbvia: juntos. Não importa a idade ou o grau de maturidade. É fundamental lhes assegurar que eles não são a razão do começo e nem jamais serão a razão do fim." "De todos os dramas emocionais vividos em um divórcio, sem sombra de dúvida o mais triste e traumático é a disputa por um filho. Porque essa disputa tem o eu em primeiro plano e o filho em algum plano (talvez nem o segundo)." "Por mais difícil que seja desapegar da sua dores tentar entender ou admitir que o outro sofre também, saia de dentro de si mesmo e se coloque no lugar do outro." "Vive-se em rápida sucessão os cinco estágios do luto - negação, raiva, barganha, depressão e aceitação - e a comparação não é descabida, afinal o divórcio é a morte de um relacionamento." "As pessoas casam para serem felizes e se divorciam para serem felizes também."
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