A epopeia do Acre e a manipulação da história - No Movimento Autonomista & no Governo da Frente Popular

    Eduardo de Araújo Carneiro

    EAC Editor
    2016
    145 páginas
    4h 50m
    ISBN-10: B017OCRNZG
    Português Brasileiro

    Este livro faz parte de uma hexalogia sobre a formação histórica do Acre, que é composta pelas seguintes obras: A formação da sociedade econômica do Acre: “sangue” e “lodo” no surto da borracha (1876-1914); A fundação do Acre: uma história revisada da anexação (fase invasiva, fase militar & fase diplomática); A epopeia do Acre e a manipulação da história no Movimento Autonomista & na Frente Popular do Acre); “Acreanidade” e as comemorações cívicas (do Movimento Autonomista ao Governo da Frente Popular); O discurso fundador do Acre e a invenção do heroísmo e do patriotismo acriano; e O Acre é do Amazonas! Uma análise histórico-discursiva dos textos de Rui Barbosa. Apesar de ter sido publicado primeiro, este livro é, na verdade, uma continuação de O Discurso Fundador do Acre, que tem lançamento previsto para o primeiro semestre de 2016, e que ambiciona estudar as condições de produção do discurso que inventou a anexação do Acre ao Brasil como um evento épico. É como se este livro fosse um segundo volume de O Discurso Fundador do Acre, pois enquanto esse explicará a emergência da manipulação da história operada pelos líderes e defensores da Questão do Acre, a obra que o leitor tem em mãos analisa a reprodução dessa “história espetáculo” pelo Movimento Autonomista e pelo Governo da Frente Popular. A reprodução do discurso fundador do Acre pelo establishment acriano foi o que consagrou a manipulação da história como verdade. Certamente não fizeram isso gratuitamente, pois da mesma forma que os promotores da “Revolução” inventaram o discurso do heroísmo e patriotismo acriano para justificar a nacionalização do Acre, os autonomistas nas décadas de 1900 a 1960 e os petistas de 1999 até hoje também fizeram e fazem uso político do discurso histórico para promoverem suas causas, seus partidos, suas lideranças e, acima de tudo, angariarem a simpatia do povo. Obviamente que o discurso fundador sofreu “deslizes de sentido” ao longo do tempo. Todos aqueles que se disseram seguidores e porta-vozes dos heróis da Idade de Ouro acabam por atualizar a carga simbólica e mítica dele conforme os interesses em voga no tempo presente. Tanto os principais líderes do Movimento Autonomista quanto os da Frente Popular se posicionaram como continuadores da “Revolução Acriana”. Com isso, incluíram-se na narrativa epopeica, cingindo suas causas com a mesma aura mítica que envolveu o evento fundador. Esse livro, portanto, não tem a pretensão de explicar a origem da manipulação da história do Acre, pois isso será feito em um livro a parte, o que queremos aqui é mostrar como essa manipulação ganhou o status de evidência histórica. A versão da anexação do Acre dada pelos líderes da “Revolução Acriana” poderia ter sido contestada, afinal, a história contada pelos vencedores sempre está coagida pelo etnocentrismo e pelo autoelogio. Então, como ela sobreviveu? Por que ela ainda é hegemônica até hoje, mesmo com todo conhecimento acadêmico que se tem atualmente? Já mostramos A formação da Sociedade Econômica do Acre que a fundação do Acre nada teve de “gloriosa” ou “deificadora”, pelo contrário, foi marcada por patologias sociais, dentre as quais, a prática regular de crimes. Mesmo assim, a memória coletiva acriana está povoada por “lembranças” de uma apoteose inaugural que, na prática, nunca existiu, a não ser nos textos literários e nas narrativas da história oficial. A versão epopeica sobreviveu porque ela foi a que melhor se adequou aos interesses do establishment acriano, que adulterou o passado, para melhor controlar o presente. Esse livro evidencia o jogo de interesse que havia entre as lideranças do Movimento Autonomista e as do Governo da Frente Popular, quando ambos optaram por incorporar em seus discursos a versão epopeica da história do Acre. Promoveram festas cívicas, defenderam o acrianismo, inauguraram museus e construíram monumentos, tudo pautado na manipulação da história. A manipulação da história acontece quando é produzido, de modo preme. FONTE: amazon.com.br

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    Amapá e Amazônia14/12/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "Após a leitura de “A Epopeia do Acre e a manipulação da história”, um livro repleto de relatos históricos sobre o Acre, exponho a visão de leitor sobre a obra. São partes contadas por um historiador genuinamente acreano. Este comentário, no entanto, representa unicamente o posicionamento de leitor, em relação à obra. O professor Eduardo trás uma obra interessante do ponto de vista histórico e literário, com minuciosa pesquisa sobre os fatos marcantes da história do Acre, a obra se propõe a apresentar uma versão da história que não é contada nas escolas. O autor se esforça para trazer à tona uma história desmistificada e sem encantos, especialmente sem tornar heróis algumas personalidades. Segundo ele, essa heroificação de personalidades da história do Acre visa fortalecer os projetos do Estado, de governo e tem sido um propósito de poucos que querem também ser declarados heróis como os da revolução acreana. Em “A Epopeia do Acre” os leitores irão encontrar relatos sobre a formação da sociedade econômica do Acre, no período em que houve a decadência da borracha. Encontrarão também, os preparativos para a fundação do Estado do Acre, nas suas fases: militar e diplomática. Há ainda o conhecimento, por parte dos leitores, do movimento lendário e da manipulação da história no movimento autonomista e da Frente Popular do Acre. O leitor atento observará ainda, o comentário sobre as comemorações das datas cívicas e sobre a “acreanidade”, segundo o autor, esculpida com objetivo de manipulação das massas, tudo com propósito especifico. Fica bem evidente, durante a leitura, o uso do gentílico “acriano” frente ao tradicional “acreano”. É observada nas citações feitas pelo autor, a manutenção da grafia utilizada em cada texto citado, mas em todos os seus escritos, o gentílico grafado é “acriano”, deixando evidente seu posicionamento em relação à questão levantada recentemente, por conta da entrada em vigo do Acordo Ortográfico da lusofonia, atualmente em vigor. Esse posicionamento contraria a bandeira de luta da Academia Acreana de Letras, com seu recente desfecho. É uma obra interessante! O leitor chegará ao final satisfeito. Li e recomendo a leitura de “A Epopeia do Acre e a manipulação da história”, de Eduardo de Araújo Carneiro. Boa Leitura!" Fonte: pagina20.net

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