Quando comprei Almagesto — o livro físico, diretamente da lojinha da autora — estava muito empolgada para embarcar na leitura. A sinopse é interessante, a capa é bonita e quando você abre o livro se encanta com o projeto gráfico tão lindo ali dentro, com estrelas iluminando a nossa leitura até o fim.
No começo, ali nas primeiras 50 páginas mais ou menos, tudo é muito fascinante. Conhecemos o povo que vive na Academia — divididos entre Construtores, Pensadores e Sábios — que segue as ordens dos Invisíveis para construírem constelações na matéria escura do espaço. O ponto de vista é dividido entre quatro personagens que conhecemos logo no início: Diana e Adhara, ambas Construtoras; Atlas, Pensador; e Valentina, uma mundana. À princípio, eles são legais, é interessante os ver interagindo com o mundo e uns com os outros, mas isso vai até o primeiro conflito da narrativa. Daí até o fim eles se mostram verdadeiras folhas de papel: planos e limitados.
Atlas é definido por sua natureza questionadora e afrontosa, nunca se submetendo às regras da Academia sem se perguntar de onde elas vêm. Diana, por ser metódica, ordeira e 'certinha' — logo de cara ela é posta como um contraposto a Atlas por encontrar conforto na monotonia do dia-a-dia e não querer mudança. Valentina é uma garota desprendida da realidade, ela é melancólica e o tempo todo encontra divergências suas em relação às pessoas ao redor. A Adhara… bem, da Adhara falo mais a frente. Essas características os definem. Em todo o capítulo a autora faz questão de mostrar como elas se manifestam nas coisas que eles fazem.
Um exemplo que posso dar é o amplo vocabulário de Diana. Isso nos é apresentado nas primeiras páginas do livro e voltam até o finalzinho. Mesmo quando ela não está lá, os outros personagens pensam em como a Diana usaria uma palavra grande e diferente para descrever isso e aquilo.
Essa repetitividade foi um dos maiores problemas que encontrei em Almagesto. Ela aparece em tudo e não somente nas personagens. Em vários capítulos parágrafos inteiros trazem as mesmas informações de novo e de novo, arrastando a leitura.
A Adhara. Ela é uma personagem complicada. No começo ela é a típica vilã, querendo ferrar a vida dos mocinhos com perseguições e tramas. Mas é instável, e não de um jeito bom. De repente muda suas ambições para abarcar as necessidades dos protagonistas o tempo todo e acaba sendo muito enfraquecida.
Juntando a isso, percebi que a autora se utilizou muito desse tipo de artifício, das coisas acontecendo porque sim em prol dos personagens, sem muitas explicações. Eles se guiavam tanto por uma intuição mágica que dizia para eles que o que queriam fazer estava certo que era difícil de acreditar que eles corriam qualquer tipo de risco, mesmo fazendo coisas que desafiavam regras rígidas e que poderiam trazer muitos problemas para eles.
Enfim, escrever não é fácil. Eu como escritora independente assim como Rúbia sei muito bem disso. Foi de uma alegria muito grande ter tido a oportunidade de apoiar uma colega e embarcar em seu mundo mágico, mesmo com os poréns. Não me arrependo de ter comprado. Não me arrependo de ter lido. Fazer todo o projeto de um livro sem auxílio de uma editora é uma tarefa muito árdua e eu aplaudo a autora por ter feito o trabalho que fez! A mitologia sobre a criação do universo, a construção das constelações e o mistério das instruções que vêm de entidades ocultas foram pontos muito altos na história para mim e me impulsionaram a seguir em frente.