O Governo do Homem Endividado -

    Maurizio Lazzarato

    n-1 edições
    2017
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788566943450
    Português Brasileiro

    Sabe-se que um estudante universitário norteamericano termina seus estudos já totalmente endividado. Portanto, seu futuro está hipotecado: a dívida é uma dívida de vida, não apenas financeira. Daí a hipótese mais geral que atravessa este livro de tirar o fôlego: “A dívida é a técnica mais adequada para a produção do homo œconomicus neoliberal”. Com brilhantismo, Maurizio Lazzarato mostra como a guinada neoliberal significa a subordinação da soberania política aos imperativos do mercado e das finanças. A revogação das conquistas sociais, o achatamento salarial, o desemprego, a privatização generalizada, a subserviência do sistema jurídico, a insignificância dos mecanismos de representação –, eis alguns dos elementos do novo ordenamento neoliberal. Estamos falando da crise grega ou do Brasil de hoje, na sua mais sombria atualidade? Só uma análise da função crucial da moeda hoje e dos novos “axiomas” do capitalismo contemporâneo permite compreender a reconfiguração a um só tempo econômica e subjetiva que vivemos. Escrito de maneira cristalina, apesar dos conceitos complexos que aborda, este livro atinge o coração de nosso presente e multiplica as pistas para a recomposição de um pensamento de esquerda.

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    Leandro Bussolotto03/03/2021Resenhou um livro
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    Ao trilhar caminhos para entender a função da dívida na produção do homo economicus neoliberal, o autor expõe de maneira categórica formas de expropriação da população em geral. Para garantir o lucro de uns é preciso destruir a vida de outros, empobrecendo-os. No capitalismo contemporâneo praticamente não existe mais a relação patrão/ empregado, mas sim credor/ endividado. Hoje, para tudo na vida é preciso endividar-se, desde ter um teto para morar, automóvel, plano de saúde, um negócio próprio ou até mesmo para estudar. A dívida é impagável, infinita, tonando-se a nova bola de ferro para os encarcerados deste sistema. Tal mecanismo de roubo não opera isoladamente, ele está articulado com a elevação dos impostos, achatamento dos salários, negação do acesso à saúde, educação, saneamento, moradia, aposentadoria etc. Por isso, toda a precarização dos serviços sociais é intencional, tornando-se um modo eficaz de recondução/ reembolso do dinheiro aos ricos. A obra também possibilita reflexões acerca de como o projeto neoliberal vende a falsa ideia de liberdade do individuo “empreendedor de si”. Que ao tonar-se uma empresa individual, isola-se, aprisiona-se em seu circuito profissional. O “empresário de si” precisa abrir mão do seu lazer e da sua família para não perder trabalho, para não perder cliente ou não perder espaço diante de seus concorrentes. A promessa de liberdade nesse capitalismo contemporâneo tonou-se uma nova servidão, exigindo sacrifício e endividamento.

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