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    Maria Madalena -

    Friedrich Hebbel

    Aetia Editorial
    2017
    132 páginas
    4h 24m
    ISBN-13: 9788594447005
    Português Brasileiro
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    Friedrich Hebbel é um dos poucos dramaturgos de peso do realismo alemão. Ao invés de encontrar suas raízes no estilo de seu tempo, voltou-se ao teatro de Lessing, Schiller e Kleist para criar a primeira tragédia social do país, Maria Madalena. Sendo um criador e não um imitador, ele soube unir técnicas dramatúrgicas mais antigas às urgências de sua época: a peça foi concebida em 1844, ano em que Søren Kierkegaard publicava Sobre o conceito de angústia e, do outro lado do espectro, Marx escrevia seus Manuscritos econômico-filosóficos. Trata-se de época de ebulição, de revolta e descontentamento com os valores familiares e burgueses que, se cinquenta anos antes haviam sido motores de uma revolução social bem-sucedida, agora se revertiam em agentes do atraso. Alguns desses valores constituem o tema central da peça em questão. Hebbel gostava de falar do período em que viveu como uma era ‘travada’ da dialética histórica, em que ninguém aprende com seus erros e, por falta de espírito analítico, a humanidade para de seguir em frente. A tragédia pessoal da protagonista Klara segue justamente essa dinâmica; ela é a moça pobre e virtuosa, o orgulho da família que se vê numa situação irreconciliável com os valores da sociedade alemã de 1840, e coagida a uma resolução irracional. Representar uma saída razoável seria falsificar a história, e é aqui que encontramos o aspecto realista da dramaturgia do autor. O teatro se reverte em um veículo dos impasses sociais, os quais por sua vez são expostos em estado congelado. Hebbel tinha uma visão bastante utilitária do teatro: a história de vida de Klara revela aos espectadores uma ideia libertadora. Seria possível salvar tanto a ideia quanto a heroína nesse universo dramático? Seja como for, não constitui um paradoxo, mas uma constante na história humana: grandes mulheres e homens são geralmente mártires de suas motivações.

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