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    O Mundo Da Pólis - Ordem e História - Volume II

    Eric Voegelin

    Loyola
    2009
    480 páginas
    16h 0m
    ISBN-13: 9788515036530
    Português Brasileiro
    4.2
    14 avaliações
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    Sinopse Esta obra explora a antiga simbolização grega da realidade humana, conduzindo desde as origens da cultura grega nas civilizações da Creta pré-homérica. A obra traça a emergência das formas da cidade-estado e da filosofia a partir do simbolismo do mito. O autor mostra como o sentido da existência se expressou concretamente nas instituições políticas, sociais e religiosas na Grécia. Sobre o Autor Eric Voegelin foi um filósofo, historiador e cientista político alemão radicado nos Estados Unidos. Foi aluno da Faculdade de Direito da Universidade de Viena entre 1919 e 1922 e se tornou professor associado de ciência política daquela instituição.Voegelin lecionou por um ano no Departamento de Ciência Política da Universidade Harvard, dois anos na Universidade do Alabama, porém passou a maior parte da sua carreira acadêmica na Universidade Estadual de Louisiana, Universidade de Munique e no Instituto Hoover da Universidade de Stanford.

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    Felipe Correia Pimenta picture
    Felipe Correia Pimenta29/01/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A série Ordem e História de Eric Voegelin é bastante desafiadora para quem a lê. Depois de haver analisado Israel em seu primeiro volume, Voegelin faz um estudo sobre alguns personagens que ajudaram a definir a mentalidade grega. Ele primeiro escreve sobre os poetas Homero e Hesíodo, que representam uma primeira fase do pensamento grego, que é o mítico. Eu particularmente achei o estudo sobre Hesíodo mais interessante. A parte sobre Homero pode ser complementada com a opinião de Giambattista Vico em sua Ciência Nova. Sobre o poeta grego, Voegelin escreve em detalhes a respeito da personalidade de Aquiles como definida por Homero. A parte seguinte fala sobre o amor entre Páris e Helena, visto pelo filósofo alemão como o início da desordem. Páris está cego pelo domínio em sua alma do Eros, sendo essa uma das metáforas utilizadas por Homero para demonstrar a presença do mal. Isso vai fazer com que Homero passe a ensinar aos gregos que o mal está no homem, e não nos deuses. Como define Voegelin: é o homem, e não os deuses, o responsável pelo mal. Na prática, esse hábito é perigoso para a ordem social. Os delitos serão mais facilmente cometidos caso se possa transferir a responsabilidade aos deuses. Historicamente, uma ordem civilizacional está em declínio e irá perecer se esse hábito obtiver aceitação geral. O Mundo da Pólis também abrange estudos sobre Xenófanes, Parmênides e Heráclito. Acho que quem ler esse livro vai gostar muito da análise que Voegelin faz de Prometeu Acorrentado, de Ésquilo. Como nós sabemos, uma passagem específica da peça impressionou o jovem estudante Karl Marx. Vejamos como Voegelin resumiu o pensamento de Ésquilo quando esse colocou as palavras odeio todos os deuses na boca de Prometeu: a authadia é a insensatez, nosos, uma enfermidade. O mesmo termo aparece em Ésquilo também aparece na caracterização heraclítea da vaidade como uma enfermidade sagrada. É uma enfermidade espiritual que só pode ser curada pela submissão por meio do autodomínio. Nessa passagem de Ordem e História podemos compreender um dos princípios da desordem futura não somente da sociedade grega, como também da nossa. A parte final do livro é dedicada ao estudo dos sofistas e da reação que Sócrates e Platão tiveram ao ensinamento desses. Quanto a esse capítulo podemos e devemos ver as semelhanças entre os sofistas e o nosso mundo universitário moderno. Os sofistas vendiam o saber de sua época em troca de dinheiro; porém o problema não está nessa questão da remuneração. Os sofistas, como a maioria dos professores universitários do Brasil de hoje em dia, eram relativistas. Um fragmento da obra do sofista Górgias chamado Sobre o Ser continha essas proposições: Nada existe; se algo existe, é incompreensível; se é incompreensível, é incomunicável. Os sofistas eram grandes defensores da abolição de toda a transcendência. A filosofia de Protágoras de que o homem é a medida de todas as coisas revela todo o processo de imanentização pelo qual passava o pensamento grego. Então essas premissas básicas dos Sofistas de que a verdade sobre o ser não existe; de que devemos buscar a imanência e não a transcendência e, que por fim, o homem-e não Deus- é a medida e todas as coisas nos oferecem o estado das coisas na Grécia antes do aparecimento de Sócrates, Platão e Aristóteles. Contra os sofistas, Platão vai ter que ensinar que o homem precisa de uma teologia verdadeira e de que podemos ter certeza a respeito do ser e das coisas. O relativismo terá um golpe naquela época. Mas os sofistas não desapareceram, basta ver o nosso século XX e XXI. O Mundo da Pólis tem sua sequência em Platão e Aristóteles, o terceiro volume da série. Voegelin é um filósofo que está muito acima das discussões do meio universitário brasileiro. Ler suas obras é ter acesso a uma filosofia verdadeira.

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