A Era Ecumênica - Ordem e História - Volume IV

    Eric Voegelin

    Loyola
    2010
    440 páginas
    14h 40m
    ISBN-13: 9788515037186
    Português Brasileiro

    Sinopse Esta obra trata da história não como uma sucessão dos seres humanos e suas ações no tempo, mas como o processo da participação humana no fluxo da presença divina, cuja direção é escatológica. Neste volume, Voegelin aplica sua concepção revista da análise histórica à era ecumênica. Sobre o Autor Eric Voegelin foi um filósofo, historiador e cientista político alemão radicado nos Estados Unidos. Foi aluno da Faculdade de Direito da Universidade de Viena entre 1919 e 1922 e se tornou professor associado de ciência política daquela instituição.Voegelin lecionou por um ano no Departamento de Ciência Política da Universidade Harvard, dois anos na Universidade do Alabama, porém passou a maior parte da sua carreira acadêmica na Universidade Estadual de Louisiana, Universidade de Munique e no Instituto Hoover da Universidade de Stanford.

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    Felipe Correia Pimenta29/01/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Era Ecumênica é o volume mais difícil de ser compreendido de toda a série Ordem e História. O filósofo Eric Voegelin teve que rever a sequência da história da Ordem na Antiguidade pois novos temas se apresentaram. Como nos três primeiros livros da série havia um estudo de Israel e do mundo grego, em a Era Ecumênica, Voegelin apresenta-nos às civilizações do ecúmeno, que viriam a suceder às civilizações cosmológicas do Egito e da Babilônia. Os novos impérios ecumênicos da Pérsia, de Alexandre e de Roma vão fundar um novo tipo de império mundial que vai incluir novas religiões, conhecimentos geográficos e trazer um desafio aos filósofos e fundadores de religiões que, a partir desse momento, vão esforçar-se por incluir em seus sistemas toda a humanidade. São citados como exemplos dessa mentalidade ecumênica os profetas Mani e Maomé. Ambos tinham a visão de que o que vinha anteriormente a eles era válido, porém estava destinado a apenas uma parte da humanidade. Mani e Maomé viriam, portanto, como mensageiros destinados a levar sua mensagem a todo globo, seja por meio de incansáveis viagens, como no caso de Mani, seja por meio da expansão violenta, como foi no caso de Maomé. A base do pensamento de Voegelin nesse livro é o conceito do Apeiron (ἄπειρον) de Anaximandro, que o filósofo alemão vê refletido na obra de Heródoto já na Antiguidade. Heródoto escreve em sua História que Creso deu um conselho a Ciro, imperador persa, ” que existe no mundo uma roda dos assuntos humanos que, girando, não permite que o mesmo homem prospere para sempre”. O ἄπειρον , nas palavras de Voegelin, promove a tensão da vida e da morte. . Platão escreve nas Leis que o mundo atual é resultado de catástrofes cósmicas nas quais apenas uns poucos sobreviveram. O filósofo grego rejeita nesse diálogo a proposta de Protágoras de que o homem é a medida de todas as coisas, e escreve em seu lugar que “Deus é o verdadeiro governante dos seres humanos que possuem nous“. O nous ( inteligência) é muito citado por Voegelin em todas as suas obras, porque ele foi considerado um filósofo da consciência. O nous e o Apeiron são vistos como um modo de equilibrar-se a imortalidade e a mortalidade. Nas palavras de Voegelin ” o ser humano somente pode imortalizar-se quando aceita o fardo apeirôntico da mortalidade”. Quando Platão colocou o centro da realidade na revelação do nous, terminou por aproximar-se do Logos cristão. Essa é a verdadeira vida da razão, segundo Eric Voegelin. Em a Era Ecumênica, Eric Voegelin não deixa de fazer suas recorrentes e importantes críticas a Comte, Hegel e Marx. O motivo é que todos esses três pensadores acreditavam que a história tinha o seu fim no tempo deles. Hegel, principalmente, acreditava que era o único homem e que a história acabava nele. Todos eles eram imanentizadores e inimigos da transcendência. Marx queria pegar a história em suas mãos e transformá-la, mesmo sabendo que isso teria um custo enorme de sangue humano. Como demonstrou Voegelin, o fim do mundo (Eschaton) sempre foi uma tentação ao longo do pensamento cristão, que atormentou pessoas como São Paulo e Joaquim de Fiore. O que podemos entender desse livro extremamente difícil, é que todos os impérios cosmológicos ou ecumênicos estão destinados à destruição. Toda a tentativa de deter a história e o ἄπειρον terminarão em fracasso- isso quando não produzirem extermínio em massa. Voegelin não fala sobre isso no livro, mas com a passagem dos séculos e dos impérios, o que permanece é o nous, a revelação e o mistério da Encarnação de Cristo.

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