Como expressar de maneira profunda um sentimento comumente tratado de forma tão rasa? Para o célebre escritor C.S. Lewis, o amor pode ser comunicado de quatro maneiras: Afeição, a forma mais básica de amar; Amizade, considerada a mais rara; Eros, o amor apaixonado; e Caridade, o maior e menos egoísta deles. Em Os quatro amores, um de seus livros mais influentes, agora enriquecido por nova tradução, Lewis contempla a essência do amor e avalia como cada tipo se ajusta aos demais. Com a maestria que o tornou um dos autores mais importantes do século XX, ele desafia e incorpora definições clássicas do amor de uma forma que continua atual e relevante. Como lembra o autor, foi por amor que Deus fez existir criaturas inteiramente supérfluas, somente a fim de poder amá-las e aperfeiçoá-las.
Os Quatro Amores -
C. S. Lewis
Resenha de Os Quatro Amores
“Amor é fogo que arde sem se ver”. Essa frase é a primeira e carrega o nome de um dos sonetos de Luís Vaz de Camões, talvez o maior escritor da língua portuguesa. No poema, o autor aborda esse sentimento tão enigmático o qual, assim como o fogo, não tem meio termo nem é facilmente controlado. Há todo um diálogo sobre a dualidade a qual nos convida a refletir e tentar entender mais a respeito das profundezas do verbo amar. Nesse contexto, de um gigante da literatura para outro, C. S Lewis, um dos mais influentes do século XX, propõe-se a falar sobre tal assunto em seu curto livro de 180 páginas o qual fora publicado em 1960, estamos falando de: Os Quatro Amores. Dividindo em 5 capítulos, o criador de Nárnia, após a introdução, fala sobre o amor em relação aos chamados sub-humanos (animais, coisas e atividades). Depois, entramos, a cada parte, em um dos 4 tipos de amor os quais, como Lewis bem diz, são: Afeição, Amizade, Eros e Caridade. É interessante notar, o escritor, à época da publicação da obra, tinha acabado de se casar (1956). Por isso, é de se esperar uma inspiração a mais advinda desse homem tão engenhoso e realmente chegamos a notar várias vezes sua alegria e algumas conclusões as quais provavelmente foram tiradas enquanto olhava para sua amada. “De uma maneira misteriosa, mas indiscutível, o amante deseja a mulher Amada, ela mesma, não o prazer que ela pode dar. ” Apesar das complexidades e fragilidades as quais rodeiam o objeto em discussão, temos aqui uma obra amena, fluida e de certa forma, intuitiva. Somos guiados pelos pensamentos de Lewis por meio de um desenvolvimento claro e instigante, em nenhum momento há grandes reflexões as quais poderiam deixar o leitor confuso. Em comparação a outras escritas de Lewis, como A Abolição do Homem ou O Peso da Glória, esse talvez seja um dos livros mais fáceis e simples de se compreender do escritor. Isso não tira seu mérito. Pelo contrário, o maior charme da obra é justamente essa leveza pela qual o tema é abordado, estabelece-se todo um clima de contemplação (não idolatria) sobre as nuances do sentimento. Essa característica, no entanto, não tira o poder de veracidade nem a sabedoria das reflexões, o autor traz à tona bons pontos de vista e grandes avisos os quais nos mostram, por exemplo, que “o amor deixa de ser um demônio somente quando deixa de ser um deus”. Os Quatro Amores é um livro o qual tem a capacidade de fazer-nos termina-lo já com a vontade reler. Com uma proposta ousada e intrigante, C. S Lewis faz um convite, de forma sutil, a repensar muitas das nossas formas, seja de demonstrar, seja de buscar, seja de receber o amor. Uma obra adorável e incrível, vale a pena a leitura. IG: Aprendilendo_ Para mais resenhas acesse: aprendilendo.com.br
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