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    Escritos (Campo freudiano no Brasil) -

    Jacques Lacan

    Zahar
    1998
    944 páginas
    1d 7h 28m
    ISBN-10: 8571104433
    Português Brasileiro
    4.7
    57 avaliações
    Leram99Lendo124Querem269Relendo7Abandonos13Resenhas3
    Favoritos19Desejados269Avaliaram57

    A publicação dos Escritos de Lacan no Brasil constitui um marco para a bibliografia psicanalítica em língua portuguesa. Contendo a íntegra dos textos escritos por Lacan entre 1936 e 1966, inclui "O seminário sobre ´A carta roubada´", "O estádio do espelho", "Função e campo da fala e da linguagem", "O tempo lógico" e "A direção do tratamento", entre outros artigos fundamentais para a psicanálise contemporânea. Criteriosamente traduzido e revisto por especialistas na obra do mestre francês, o volume traz índices remissivos e a paginação correspondente no original francês. Notas abundantes, preparadas especialmente para a edição brasileira, esclarecem passagens complexas, justificam certas traduções propostas ou reproduzem trechos em que a referência ao original francês se faz imprescindível.

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    Jess Carmo02/01/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Algumas impressões de leitura

    Pelo tamanho da obra, é um pouco difícil resenhar os Escritos de Lacan. Infelizmente iniciei minha leitura na psicanálise lacaniana pelos Escritos. Hoje teria escolhido um caminho diferente. Muito da discussão fica perdida caso o leitor não esteja avisado da formação dos conceitos e problemas que podemos encontrar nos primeiros seminários. Fica claro o esforço de Lacan em articular as discussões mais recentes com o que foi discutido anteriormente nos outros seminários. Não pretendo fazer aqui uma resenha detalhada dos Escritos, mas deixar algumas impressões rápidas da leitura. Lacan está sempre insistindo na formação do analista, na definição de ciência e sua articulação com a psicanálise. É curioso notar como todos os textos são construídos através de diálogos externos com outros autores, carregados de ironias e críticas. Talvez essa seja a marca maior de Lacan. Sua teoria sempre está em pé de crítica com outros autores. A principal crítica que encontramos à psicanálise é a falta de rigor teórico dos pares. Ao contrário do que costumamos ouvir nos cursos de graduação e escolas de psicanálise, Freud não escapa das ironias ácidas de Lacan. Não precisa de muito esforço para encontrar críticas ao empirismo freudiano, à ignorância do projeto freudiano ("Freud nunca soube muito bem o que estava fazendo" - p. 517). Não é à toa que ele fala de uma retomada ao avesso do projeto freudiano. Lacan diz que é preciso "reavaliar a ideia segundo a qual o inconsciente é apenas a sede dos instintos" (p. 498). É por isso que a todo tempo ele insiste na formulação de um inconsciente estruturado como linguagem. Isso, segundo ele, não se confunde "com as diversas funções somáticas e psíquicas", já que "a linguagem, com sua estrutura, preexiste à entrada de cada sujeito num momento de seu desenvolvimento mental" (p. 498). Também fica evidente a influência da filosofia antiga para a concepção de ciência verdadeira cara a Lacan. Segundo ele, essa ciência teria se perdido com o advento do positivismo lógico e as ciências conjecturais seria um resgate desse modelo. É curioso notar o desprezo que encontramos no campo psicanalítico em relação à ciência moderna. Lacan está a sempre insistindo na importância da ciência moderna para o surgimento da psicanálise, já que "sua práxis não implica outro sujeito senão o da ciência" (p. 878). Isso porque a ciência moderna promove uma torção radical na noção do sujeito e de sua relação com a verdade. A matemática, a lógica e linguística também aparecem aqui como disciplinas fundamentais para a psicanálise. Para Lacan, não existe ciência sem suporte matemático. Lacan está dizendo que não existe experiência possível sem a mediação da matemática.

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    Jacques-Marie Émile Lacan

    Jacques Lacan (1901-1981) foi um grande psicanalista, sendo considerado um dos principais intérpretes de Sigmund Freud. Sua obra é considerada como complexa de se compreender. Ele fundou uma corrente psicanalítica própria: a Psicanálise Lacaniana Lacan apresentou invocações na psicanálise, tanto do ponto de vista teórico, como no ponto de vista prático. Segundo Lacan, a psicanálise tem apenas uma interpretação possível, que é a interpretação linguística. Na psicanálise, o inconsciente é tido como fonte dos fenômenos patológicos. Sendo assim, conforme também defendido por outros psicanalistas, é uma tarefa descobrir as leis pelas quais se rege o inconsciente. Leis que são descobertas pelas manifestações do inconsciente, e assim, pode-se tratar essas patologias. A Psicanálise Lacaniana constitui como um sistema de pensamento que promoveu diversas alterações em relação à doutrina e clinica propostas por Freud. Lacan criou novos conceitos, além de ter criado uma técnica de análise própria. Sua técnica diferenciada surgiu a partir de uma metodologia diferente de análise do trabalho do Freud. Principalmente, em comparação a outros psicanalistas cujas teorias divergiram de seu predecessor.

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    Jacques-Marie Émile Lacan