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    Continuação de ideias diversas (Coleção Archimboldi) -

    César Aira

    Papéis Selvagens
    2017
    92 páginas
    3h 4m
    ISBN-13: 9788592989101
    Português Brasileiro
    4.3
    4 avaliações
    Leram4Lendo0Querem6Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados6Avaliaram4

    A meio caminho entre um caderno de anotações, um diário, um rascunho de ideias, este livro raro de Aira reune pensamentos sobre literatura e arte, descrições de sonhos, lembranças de suas primeiras leituras, observações sobre a memória e o esquecimento e digressões sobre a arte da ficção. O livro está composto por uma série de fragmentos de não mais de uma página que, em espaço reduzido, funcionam com a potencia inesperada do haicai.

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    jota 11 picture
    jota 1129/12/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Todas as ideias e mais algumas: resumindo César Aira

    O argentino César Aira, nascido em 1949, apesar de pouco conhecido no Brasil tem vários títulos lançados por aqui: A Trombeta de Vime (2002), As Noites de Flores (2006), Como me Tornei Freira (2013), Os Fantasmas (2017), entre outros. Ano passado (2017), uma nova editora carioca, a Papéis Selvagens, lançou este Continuação de Ideias Diversas. Justificou sua escolha como uma busca pela promoção e divulgação do "(...) trabalho de narradores que inventam formas de contar histórias e formas de ser em literatura hoje, lançando mão dos recursos do romance, do conto, das memórias, da autobiografia, da biografia ou do diário." Isso é exatamente o que o leitor vai encontrar aqui e um pouco mais: as tais ideias diversas do título. Por exemplo, a seguinte: "Esta é uma ideia que tenho faz muito tempo, quase poderia dizer que desde sempre. Seu enunciado é simples demais: toda a complicação e a dificuldade de fabricar miniaturas poderiam ser evitadas fazendo-as maiores." Prático, não? Mas como fazer para se ter ideias brilhantes assim? Talvez porque desde muito cedo, aos catorze anos, Aira já lia Kafka, Proust e Borges. Depois ele afirma que aos vinte lia os livros que as pessoas costumam ler aos quarenta. E hoje em dia não tem muita paciência para ler novos autores que utilizam a narrativa com os verbos no presente: para ele o modo lógico de contar uma história é sempre o passado. A maior parte dos inúmeros textos que compõem este livro, quase todos bastante curtos, menos de meia página em média, diz respeito a temas que envolvem literatura. Mas Aira aborda também questões ou ideias ligadas às demais artes, especialmente cinema, pintura, escultura. Quase sempre são digressões, divagações que faz. A certa altura ele pergunta: "Por que são infelizes os escritores? Para que o que escrevem tenha que ser tão bom para ter valido a pena sacrificar a felicidade por isso." Algumas páginas depois ele se põe a escrever de outra maneira o início de A Metamorfose, de Kafka, em que um pacífico inseto se vê transformado num homem, com todos os problemas de ser um homem, um verdadeiro pesadelo... Este resumo dá uma ideia muito pálida daquilo que o leitor vai encontrar em Continuação de Ideias Diversas. O que me levou à procura deste volume foi a leitura, algum tempo atrás, de um conto de Aira que especialistas argentinos em literatura, numa votação, escolheram como décimo lugar entre os cem melhores do século XX do país, Muchacha Punk (Garota Punk), que faz parte de Vinte Ficções Breves, uma antologia de histórias curtas de autores argentinos e brasileiros contemporâneos. É um conto sensacional, em que um Aira mais comportado (ou focado, digamos assim) nos leva a uma Londres que existiu nos anos 1970. Ou na cabeça dele, por apenas uma noite de um remoto dezembro. Lido entre 27 e 29/12/2018.

    1 curtida

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    César Aira profile picture

    César Aira

    Nascido em 1949 em Coronel Pringles, uma cidade da província de Buenos Aires, em 1967 César Aira instala-se na porteño bairro de Flores. Ambos são espaços muito presentes em sua escritura. Aira também retorna frequentemente à Argentina do século XIX (por exemplo em A lebre, Um episódio na vida do pintor viajante e Ema, a cativa). Com frequência retorna regularmente a jogar com estereotipos de um exótico Oriente como em Uma novela chinesa, O volante, e O pequeno monge budista. É frequente a utilização de personagens de autor em suas novelas. Tal é o caso de O congresso de literatura, As curas milagrosas do Doutor Aira, Como me fiz freira, Como me ri, O cérebro musical ou Aniversário.

    66 Livros
    11 Seguidores
    Buenos Aires, Argentina

    César Aira