A Mentalidade Anticapitalista -

    Ludwig von Mises

    Vide Editorial
    2015
    158 páginas
    5h 16m
    ISBN-13: 9788567394787
    Português Brasileiro

    O capitalismo é o sistema de organização econômica mais vilipendiado, difamado, criticado e caluniado que existe. Todos adoram detestar o livre mercado - de operários a intelectuais, de artistas a sacerdotes, de políticos a empresários. Mas o mais intrigante nessa história toda é que o capitalismo... funciona. Teorias socialistas e intervencionistas de toda sorte pretendem criar uma narrativa coerente para os males que acometem a civilização, e lidam com símbolos bastante convincentes: "Existem muitos pobres porque alguns são ricos". "Existem patrões porque tantos outros não passam de empregados". "Existem criadores porque muitos fazem o serviço braçal e mecânico". Nada mais verdadeiro e, paradoxalmente, nada mais falso. A economia não é conta de soma zero. O sistema de livre mercado - de trocas e cooperações voluntárias - é, tão somente, o exercício da liberdade de escolha, de empreendimento, de inventividade e diligência a serviço da sociedade humana. O capitalismo produziu muito mais riqueza e prosperidade do que todos os outros regimes que o antecederam, e essa riqueza teve como efeito uma margem ainda maior de liberdade e meios de ação para os mais pobres que, sabemos, inexistem nos países que adotaram as doutrinas marxistas. E o que mais me impressiona neste ensaio fundamental de Ludwig von Mises, A Mentalidade Anticapitalista, talvez seja sua data de publicação: 1956. Se eu lesse este livro e desconhecesse o autor, e se me contassem que houvera sido publicado anteontem, eu nem desconfiaria. Os assuntos de que trata são atualíssimos. Bem como atualíssima é a clarividência com que o faz. (Gustavo Nogy)

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    Doney Corteletti Stinguel07/01/2019Resenhou um livro
    1 (Ruim)

    O relincho do 1%

    Não é tarefa particularmente fácil defender a concentração de renda, defender as mordomias, prerrogativas, privilégios e bonanças do 1%. E é exatamente a esta tarefa que toda a obra de Von Mises se propõe, um lixo tóxico que não é levado em conta por nenhum pesquisador que tenha o mínimo de sensibilidade social e senso de solidariedade com seus semelhantes. Para Von Mises, se uma pessoa deseja uma sociedade mais justa e equânime, se deseja uma sociedade de classe média, onde todos tenham direitos mínimos garantidos, educação, saúde, moradia, cultura etc., com uma qualidade mínima que permita uma vida saudável em sociedade, isto se dá, na realidade, porque a pessoa é invejosa dos milionários (!). Os seguidores da igrejinha neoliberal defendem a falácia de que se você é uma pessoa humilde e deseja uma maior justiça social, você é invejoso. Se você é mais abastado e deseja justiça social, você é da esquerda caviar. Ou seja, para eles simplesmente não há posição onde a crítica a este sistema desigual, injusto e cruel possa ser válida. Para defender o privilégio do 1%, a quantidade de dislates, mistificações, mentiras, distorções, meias-verdades e afins que abundam nesta e em outras obras de Von Mises são impressionantes. Por mais que tente disfarçar, ele eventualmente mostra sua verdadeira face quando deixa escapar o desprezo que sente pela classe trabalhadora em expressões tais como “massas indolentes” – justamente as massas que com seu trabalho firme e honesto sustentam a bonança de alguns poucos. Hoje as pessoas ridicularizam o guru astrológico dos bolsominions – aquele que disse que o refrigerante Pepsi é feito com fetos abortados, que a ONU apoia o terrorismo, que existem livros ensinando crianças a fazer sexo oral com elefantes, que a Lei da Inércia é falsa e Isaac Newton era um imbecil, que o ser humano não necessita de cérebro pra viver, que Charles Darwin é o pai do nazismo, que o FMI e o nazismo são de esquerda, que os EUA entraram no Vietnã com o intuito de perder a guerra, que a ditadura brasileira foi branda e tinha eleições democráticas – e que já chegou ao cúmulo de construir uma barca egípcia no porão de casa para fazer uma viagem no tempo (!). Por conta destas e outras muitas loucuras, o guru astrológico já foi internado duas vezes em sanatório pelos próprios familiares. Entretanto, estes delírios não são, digamos, os mais comuns na figura e de seus extravagantes seguidores. O foco dele é o comunismo (naturalmente, pra ele, o marxismo nasceu do satanismo). De acordo com o guru astrológico, até a eleição do Papador de Alfafa em 2018 o Brasil era uma ditadura comunista, Bill Clinton era um agente de Pequim infiltrado, há uma suposta conspiração comunista global e o movimento gay, a ONU, o Foro de São Paulo e o FMI são parte dela, há 40 milhões de comunistas no Brasil e o General Geisel também seria comunista. Pode-se pensar que estes delírios lunáticos são oriundos apenas da insanidade do construtor de veículo para viajar no tempo. Entretanto, isto não vem de hoje e o livro aqui resenhado é prova disso. Von Mises chega ao cúmulo de escrever em "A mentalidade anticapitalista" que histórias de detetive (tais como do Sherlock Holmes e o inspetor Maigret), na verdade, são cruéis fábulas socialistas que se dignam a macular os grandes feitos de burgueses honestos e honrados (!). Quem deveras faz uso do cérebro não pode ter qualquer tipo de apreço pela obra de Von Mises. Nada daqui se aproveita. Os únicos que têm alguma razão em apreciar esta lamentável obra são os multimilionários, efetivamente beneficiários do regime capitalista, a plutocracia do 1% que comanda e se locupleta da sociedade. Para eles, e só para eles, este livro e a obra como um todo de Von Mises são boas, pois quando as defendem, estão defendendo sua própria (e porca) causa. Os membros da classe dominante defendem este tipo de obra não porque seja inteligentes, mas porque são espertos - já os seguidores de Mises de classe média não são nem uma coisa nem outra. Como bem elucida um meme que circula na internet, eles se portam como os cães guarda de mansões: latem, rosnam, se enfurecem no intuito de defender a grande propriedade. Mas no fim da noite, dormem do lado de fora dela. Se for pra utilizar a valoração moral que estes sujeitos tanto apreciam, pode-se afirmar que este é o tipo de livro (e de autor) que presta pra quem não presta.

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