Amélie sendo Amélie, mesmo na infância
----- "Le regard est un choix. (...) Vivre signifie refuser." - "Les gens vouent un culte à la régularité.(...) Personne ne veut croire aux accidents." - "À quoi bon se tuer à naître si ce n'est pour connaître le plaisir?" - "Il éxiste depuis très longtemps une immense secte d'imbéciles qui opposent sensualité et intelligence." - "On n'a rien inventé de mieux que la bêtise pour se croire intelligent. - "Le souvenir est l'un des alliés les plus indispensables de la volupté." - "(...) parler était un acte aussi créateur que destructeur." - "Une portion de terrain plantée de fleurs et d'arbres et entourée d'une enceinte: on n'a rien inventé de mieux pour réconcilier avec l'univers." - "Quand on connaît le plafond mieux que soi-même, cela s'appelle la mort." - "La longevité n'était pas une fin en soi." - "Je ne savais pas encore que les amis étaient les meilleurs traîtes en puissance mais je savais que les choses les plus séduisantes étaient forcément les plus dangereuses (...)" - "Le grondement du tonnerre, dans la montagne, était le plus beau bruit du monde." - "Je venais d'apprendre cette nouvelle horrible que tout humain apprend un jour ou l'autre: ce que tu aimes, tu vas perdre." - "Seules nos répulsions parlent vraiment de nous." - "Si nous étions capables de ne plus penser à nos problèmes, nous serions une race heureuse." - "La vie, c'est ce que tu vois: de la membrane, de la tripe, un trou sans fond qui exige d'être rempli." ----- Métaphysique des tubes foi o livro escolhido para a #MaratonaEstrangeira2, promovida pelas @namanita, @naneandherbooks, @analissoares e @tinyowl.reads, e para a #MaratonaTriLit, promovida também pela @namanita e pelo @done.em. Que as histórias de Amélie são as mais insólitas é lugar comum. Em uma introdução metafísica, Deus é comparado a um tubo, por sua simultânea existência e não-existência, sua essência de matéria e vazio. Em seguida, um casal belga que morava no Japão teve Deus como filho. Por sua própria natureza inanimada (de tubo), ele não se mexia nem chorava. Seria o tubo ela própria? Este é um dos vários livros autobiográficos de autora, que compreende sua vida até os três anos de idade. A infância passada no Japão lhe marcou profundamente e veio a afetar todas as suas escolhas de vida no futuro, como podemos perceber em outras obras. Em Métaphysique, Amélie retrata de modo singular as descobertas infantis da água, da chuva, do mar, dos jardins, das flores, dos peixes e das estações. Ela fala sobre sua relação com os pais, os irmãos e as duas governantas japonesas, bem como sobre a arte e os costumes nipônicos. Com dois exemplos em sua casa, ela aproveita para apontar os traumas deixados pela Segunda Guerra e as diferentes formas com que os habitantes ainda a ressentiam. A escrita de Amélie é um espetáculo por si só. Irônica e poética, tudo é vivido e sentido com a maior intensidade possível. Nem um pouco humilde, sua opinião de si própria é tão alta que chega a ser cômico, representando toda a vaidade e egocentrismo da infância, para mostrar que cada criança se acha o centro do seu limitado universo. A autora traz ainda visões interessantíssimas sobre o tempo, o movimento, a linguagem, o olhar, a vida e a morte. Com analogias das mais estranhas, ela constrói lógicas irrefutáveis e nos faz refletir sobre nossa própria existência. O que nos torna vivos? O que nos torna seres humanos? O que pode ser considerado, de fato, normal?
