A imprevisibilidade de uma história, com certeza é um fator apreciado na vida de um leitor. E para esta leitora em particular, mais ainda.
Uma grande ironia já que sou daquelas que, na presença de um romance, preciso ir na última página verificar se há um final feliz iminente. Mas ser levada pelas palavras de um autor a uma história que se supera a cada página, não é algo assim tão corriqueiro.
Neste terceiro e último livro da série Belle Meade Plantation, mais uma vez Tamera Alexander se supera com mesclas de realismo, veracidade e claro, uma acolhedora história de amor. Somos apresentados à Alexandra Jamison e Sylas Rutledge como nossos protagonistas, e através deles conhecemos uma realidade passada que pouco ou quase nada sabemos nos dias de hoje.
Nos anos seguintes pós Guerra Civil americana, precisamente 5 anos depois, Nashville está pronta para continuar a sua crescente ascenção longe das consequências da guerra; Sylas Rutledge, forasteiro, dono de ferrovia e um dos candidatos ao patrocínio do poderoso (e verídico!) General Harding para a construção de uma estrada de ferro exclusiva através de Belle Meade, procura principalmente inocentar seu falecido pai da condenação de um acidente terrível, acidente esse que drasticamente transformou e afetou Alexandra Jamison, uma típica sulista de berço privilegiado à primeira vista, mas que tem dentro de si uma mulher convicta à frente do seu tempo.
Sua mãe deu um sorriso fraco. O mundo está mudando, minha querida. Eu não sou cega. Eu vejo isso. E você está mudando junto com ele. E embora eu acredite que está chegando o tempo em que as mulheres terão muito mais oportunidades abertas para elas, devemos todos nos mover dentro dos confins do mundo em que atualmente residimos. E você, minha querida, está presa no... no meio do tempo.
Tudo muda na vida da Alexandra quando ela decide se tornar professora na primeira universidade de Nashville para homens livres (pessoas de cor negra), a Fisk University e os caminhos dela e do Sylas se cruzam mais e mais até estarem profundamente ligados.
Quanto que eu não sabia e ainda não sei! Meu Deus a HISTÓRIA do passado... quantos detalhes, as reminiscências e as mudanças de século para século. É emocionante acompanhar esse livro e todos os acontecimentos REAIS entremeados com ficção: a dificuldade encontrada das pessoas de cor negra em lidar com o pós-guerra, as novas probabilidades, o mundo abrangente que agora havia diante deles, o que fazer, para onde ir, como lidar com o passado e as cicatrizes deixadas, o próprio começo incrível da Fisk (eu fui pesquisar e me deixou muito emocionada conhecer essa parte da história perdida e lembrada nos livros); o orgulho ferido dos sulistas brancos, as dores e a impotência de uma vida nova empurrada para eles, a evolução necessária que o mundo precisava e eles reticentes em seguir, a forma de encarar todas essas mudanças, a consciência popular em si com seus tratamentos hediondos e aceitáveis até então para com pessoas de cor diferente.
Eu fui guiada através de uma jornada de fé e amor para conhecimentos que não tinha, compreensões que me faltavam e entendimentos necessários. Sobre os nossos protagonistas...
Sylas é um personagem que nos faz torcer e nos encher de orgulho com suas opiniões, atitudes e principalmente na fé que ele deposita nas pessoas amadas. Alexandra sofre muito, porém desabrocha com a mesma proporção na melhor versão de si mesma, uma pessoa real que vale a pena acompanhar.
Entretanto, faço ressalvas. Tudo aqui é muito sutil e de acordo com a época onde se passa a história, com uma dose grande de realismo para nos aproximar e nos fazer acreditar no que estava sendo contado, e assim como a vida, há coisas que podem nunca ficar esclarecidas ou encontradas, ações falando mais que palavras.
Uma história imperdível, imprevisível e absolutamente necessária que me deixou feliz de ter acompanhado.
Quotes favoritos:
Todos nesta vida irão eventualmente decepcionar você, Miss Jamison. Essa é uma verdade com a qual você pode contar. Mas não um cachorro. Cachorros amam você mais do se amam, aparentemente. E sem dizerem uma palavra, você pode ler tudo que eles estão sentindo apenas por olhar em seus olhos.
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O que era isso sobre visitar o lugar onde uma pessoa amada morreu que de algum jeito fazia você se sentir mais conectada àquela pessoa? Talvez você estivesse olhando para a mesma porção de céu que ele olhou pela última vez, ou as mesma colinas se elevando na distância. A própria sensação do ar ao redor dele parecia diferente, como se através da respiração que ele acabou de inspirar pudesse ter passado pelos pulmões de seu pai naquele momento final.
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O que eu acho que você ainda não sabe, Miss Jamison, é o custo para você se você não for. Apesar de sua voz manter a usual força e franqueza, sua expressão detinha compaixão. Deus me mostrou muito antes que não devo permitir meu medo me governar. Porque eu tenho seu poder onipotente habitando dentro de mim. O mesmo poder que levantou Cristo dos mortos, a escritura diz, reside em mim, e em você, para cumprir sua boa vontade. Qualquer que seja.
Ele pegou sua bolsa, e Alexandra se levantou, a bigorna em seu peito e ainda mais pesada agora do que antes.
Uma última pergunta para você fazer a si mesma, Miss Jamison. E de forma alguma ela tem o objetivo de diminuir sua tristeza ou diminuir seu medo. Porque não há nada de pequeno nisso.
Seu medo é real e é justificado. Porque não posso garantir que outra situação como a de Dutchaman's Curve não se cruzará com a sua vida novamente. Eu queria poder. Mas então... eu seria Deus, e claramente não sou. Ele sorriu brevemente. Minha pergunta é simples, e eu sempre me faço ela quando estou inclinado a temer uma decisão ou direção a tomar... o Senhor está me guiando a fazer isso? Ele a olhou nos olhos. Porque se a resposta a essa pergunta for sim, então você e eu não temos escolha a não ser fazer a vontade dele. Afinal, nós somos o barro. E ele é o oleiro.
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Quão pouco uma pessoa sabe sobre alguém simplesmente por olhá-la. Ainda assim quanto as pessoas decidiam sobre outros por um único olhar.
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Sempre haverá alguém que sofreu maisou menosque você. Pensar que a pessoa que sofreu mais, em sua estimativa, é de alguma forma mais merecedora é de uma natureza tão orgulhosa como pensar que a pessoa que sofreu menos, em sua estimativa, não é tão sagrada quanto você.