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    Milagres -

    C. S. Lewis

    Vida
    2010
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-13: 9788573679588
    Português Brasileiro
    4.2
    142 avaliações
    Leram216Lendo37Querem399Relendo3Abandonos13Resenhas7
    Favoritos0Desejados399Avaliaram142

    O principal milagre professado pelos cristãos é a Encarnação. Os milagres não se relacionam com uma série de incursões independentes na Natureza, mas com as várias fases de uma invasão estrategicamente coerente — uma invasão que busca uma conquista completa, a ocupação de todos os espaços. A adequação e, portanto, a credibilidade de milagres específicos dependem de sua relação com o Grande Milagre. Conforme declaração do escritor irlandês, o propósito deste livro é servir de introdução à pesquisa histórica, e não examinar as evidências históricas dos milagres cristãos. Seu objetivo é "levar os leitores a fazer isso". Nesta obra comovente e inspirada, C. S. Lewis destaca-se por seu estilo entusiástico, lúcido e inteligente, que lhe é característico, e pela capacidade argumentativa com que leva o leitor — crédulo ou cético — a refletir a respeito do sobrenatural.

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    Ketlin 02/06/2023Resenhou um livro
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    Naturalista ou Supernaturalista?

    Essa distinção se mostra atualíssima, na medida em que vemos cada vez mais pessoas que se dizem cristãs por aí, e que abraçam o paradigma naturalista, ou seja, cristãos que admitem que a natureza funciona num sistema fechado que existe e funciona por si mesmo, sem necessidade de ação externa. Ou seja, para eles, Deus até existe, criou a primeira célula e pôs o mundo para funcionar, mas não tem nada que ver com a natureza, que funciona por leis independentes. Toda a filosofia mecanicista dele parece concordar com a dos ateus, para os quais o mundo veio do nada e ao nada voltará. Já o sobrenaturalista admite que a natureza funciona, em última instância, graças à influência externa de uma Mente Criativa, que está por trás das leis da natureza, que as sustenta e que não precisa pedir licença para intervir nela quando bem entender. Uma das coisas que ele objeta é que para que a ciência sequer exista, é preciso que haja a razão para pensá-la. Ora, tal razão não pode vir do nada, nem de um sistema fechado. A existência da razão, que significa lógica e ao mesmo tempo motivo e fundamento, é uma prova da existência da Razão Primeira, o Logos Primevo, que a tudo fundamentou e esteve na base de tudo. Mas com isso, eles põem em dúvida a própria prova que estão construindo, serrando o galho em que estão sentados. Para que haja provas sobre a origem do mundo e a existência humana, o próprio conceito de prova precisa ser posto como pressuposto. Uma prova, para ser considerada como tal, precisa da evidência externa, como qualquer detetive ou pesquisador de laboratório poderia atestar na prática. A razão é nosso ponto de partida. O sentido não pode vir da falta dele, da mesma forma que o raciocínio não pode vir da falta de razão. A razão está ligada também ao juízo, o que fica claro quando dizemos para alguém que «tenha juízo», querendo dizer que «seja razoável» ou que use de prudência ou capacidade de se decidir bem. Se é para continuar a fazer julgamentos morais , então, devemos acreditar que a consciência do homem não é produto da Natureza. Ela só tem valor se for derivada de alguma sabedoria moral absoluta, uma sabedoria moral que existe absolutamente ‘por si mesma’ e não seja produto de uma Natureza não moral e não racional.

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