Álbum ilustrado de Carlos Soares, talento do Rio Grande Norte, com inspiração no cangaço.
A técnica usada é do bico de pena e o tema está numa percepção romantizada, como se estabeleceu na cultura popular, que aproxima o cangaceiro de um tipo heroico, desvinculado da realidade sociológica.
Creio que o imaginário desvincula a bravura do banditismo e assim o espírito indômito é o que se valoriza. Isso é notado, por exemplo, nas fotos de cangaceiros capturados, vendo-se que geralmente mantinham uma postura orgulhosa e altiva, mesmo na iminência da morte (fato que chamou minha atenção através do livro do historiador Penambucano de Mello).
As figuras dão impressão de uma estética medieval, no estilo cavaleiros e princesas para os sertanejos. O destaque vai para os cavalos, retratados com rusticidade visceral, um tanto obliterada no homem.
O artista explora diferentes possibilidades. Além de retratos realistas, também idealizou figuras surreais e construções de rostos a partir de objetos inanimados. Eu diria, a poesia do rústico, quem sabe um pouquinho inspirada em Giuseppe Arcimboldo.
Enquanto obra de arte é uma publicação interessante e bonita.