Mistérios de São Paulo é dividido em três partes. Na primeira, ele retrata de maneira impecável como um trabalhador, humilhado e derrotado pela vida, acaba se envolvendo sem querer com a criminalidade. Nessa parte, o romance é rápido, a linguagem é moderna, os personagens falam a língua do povo, da rua, do submundo, dos trabalhadores. A segunda parte é o retrato de uma família burguesa paulistana. As artimanhas do burguês que ficou rico trapaceando. Ao descrever o ambiente e a psicologia da família burguesa, Schmidt parece adotar o ritmo dos romances do século XIX, as descrições mais lentas, detalhadas e luxuosas, em contradição com a decadência de uma burguesia atrasada moral e culturalmente. Na terceira parte, o do desfecho do mistério desenvolvido no livro, Schmidt adota a narrativa de um romance policial, cheio de reviravoltas e com final surpreendente. Para o autor, a forma não é um mero experimentalismo pedante, mas é de fato, como deve ser, um instrumento para transmitir um conteúdo adequado. Schmidt domina com destreza esse instrumento. Do mais, o romance já valeria à pena pelo próprio conteúdo. É um retrato da São Paulo dos anos 50 que já despontava como a grande metrópole industrial do Brasil. Trata-se de uma denúncia social muito aguda: a situação da classe trabalhadora, a função da polícia, a tortura, a situação degradante das prisões, o parasitismo da burguesia que conta com a hipocrisia da instituição religiosa. ==== https://causaoperaria.org.br/2024/misterios-de-sao-paulo-o-romance-esquecido-de-afonso-schmidt/
Mistérios de São Paulo - Afonso Schmidt
Afonso Schmidt, Affonso Schmidt
CdL / Editora Clube do Livro Ltda., (SP)
1955
183 páginas
6h 6m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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