Cofre do Medo -

    José Machado dos Santos

    Odorizzi
    2017
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-13: 9788576853213
    Português Brasileiro

    Esta obra foi escrita numa arena de lutas clandestinas, num divã alheio, onde falo sem a certeza de que alguém me ouve, numa solidão serena. Ninguém me deixou sozinho, eu queria estar sozinho. Queria ver as pessoas de longe, de perto sentia o calor do outro, a existência do outro e eu queria apenas estar comigo. Um luxo! Soneguei afetos, aproximação, entrei num casulo, renderam-me espaços preciosos para reflexão. Pensei em minha própria história, sem medo algum. Entrei numa máquina do tempo, passeava pelo espaço, indo e voltando nas lembranças, nas porcelanas quebradas, nas máscaras minhas, avançava para o futuro... Sentia-me potente, vivo, assombrado... Bem sei que a estrutura psíquica do poeta é estar num mundo de Perséfone, o céu e inferno misturados. Ardemos no fogo e nos refrescamos num tipo de sopro divino. Então! É um desafio ser alguém que se deseja ser, assumir uma loucura e não a expectativa do outro. Isto marca o ser poeta: Coragem! Admitir essa instância do ser, tombar na arena, ser visto despido pelo outro. Só falamos de nós na poesia e fingimos não ser!

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    Traudy de Quadros Friske Bieging picture
    Traudy de Quadros Friske Bieging14/09/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Dentro do Cofre: Do Conflito à Riqueza do Ser

    Variedade, profundidade, aleatoriedade e um toque ao mesmo tempo filosófico e excêntrico: poemas de como o ser humano realmente é e de seu mundo como parece ser. A complexidade e ambiguidade de existência e morte, amor e dor, desejo e medo, superação e queda, vazio e sentido, indivíduo e laços, certeza e absurdo, trabalho e desfrute, saída e retorno, passado e infinito, infernal e divino são alguns dos temas captados pelo autor - J. Machado - e que se desvelam ao longo de mais de 50 composições. Algumas vezes são exploradas rimas, em outras, a escola concreta; há também aqueles versos que simplesmente destilam um turbilhão de sentimentos abstratos em sequência. A despeito da diversidade, o eu-lírico é direto, explorando momentos que vão da sexualidade à morbidez com acidez e pitadas de humor. As ilustrações vêm fundir-se à arte textual: imagens tanto reais quanto surreais encarnam o espírito de cada poema. Se é verdade que cada qual é fruto da inspiração singular em circunstâncias fortuitas que o tornam independente dos demais, sua origem existencial - encravada integralmente na história do autor - é o que permite a perspectiva combinatória desta análise. Assim, os temas não equivocadamente desconexos tornam-se uma verdadeira antologia, pitorescamente complementar. São ligados apenas por uma tênue linha: a crua poesia da biografia humana.

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