Garoto Linha Dura -

    Stanislaw Ponte Preta

    Editora do autor
    1966
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-10: 8587575007
    Português Brasileiro

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    Lívia Teixeira25/09/2020Resenhou um livro
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    Stanislaw Ponte Preta é o pseudônimo de Sérgio Porto. Stanislaw dirige-se a um público variado, tanto o leitor popular quanto o intelectual, desse modo, Sérgio Porto construiu em suas crônicas uma nova linguagem própria para os veículos de imprensa que atingisse a diversos tipos de leitores, utilizando-se de linguagem coloquial e mimética, incorporando vozes sociais de diferentes grupos ideológicos em conflito no cenário político, registrando assim, o imaginário social a respeito do golpe militar de 1964. Na primeira crônica "Garoto linha dura", a qual deu o nome do livro, um menino chamado Pedrinho acaba quebrando a janela da vizinha com sua bola. A vizinha sabe que foi ele e conta ao seu pai, mas comenta que provavelmente o menino não admitirá a culpa por medo de ser castigado, e assim acontece. Pedrinho mente mesmo quando seu pai diz que não irá castiga-lo e acaba colocando a culpa no filho do vizinho. O pai resolve então ir até a casa do vizinho com Pedrinho para esclarecer o ocorrido, e a crônica termina esclarecendo que é nesse momento que Pedrinho tem ideias revolucionárias, e diz a seguinte frase: " - Papai, esse menino do vizinho é um subversivo desgraçado. Não pergunte nada a ele não. Quando ele vier atender a porta, o senhor vai logo tacando a mão nele." Já logo de início, fica claro o tom sarcástico usado constantemente por Stanislaw e a crítica ao cenário político. A linguagem da crônica é bastante informal, tornando-a de fácil leitura para qualquer tipo de espectador, mas também agradando o grupo de leitores mais intelectuais que com um olhar mais atento entenderiam a crítica por trás da história comum do cotidiano de um menino que quebrou uma janela com sua bola e não quis admitir. As "ideias revolucionárias" ditas tidas por Pedrinho seriam uma referência às ideias militaristas que eram vendidas com tom de revolução do povo, essas mesmas ideias que levam Pedrinho a dizer para o pai que não deveria perguntar nada ao filho do vizinho e simplesmente bater no garoto, ao qual chama de subversivo, onde "subversivo" seriam as pessoas que iam contra as ideias do regime militar. Pedrinho incorpora os chamados "dedos-duros" da época da ditadura, ficando claro na crônica a intolerância e a violência com que eram tratadas as pessoas que possuíam ideologia contraria aos agentes sociais envolvidos no golpe militar.

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