O cordel é literatura extraordinária de saberes, trazendo diversão e aprendizagens inusitadas que, dependendo do foco, revela o mítico e o histórico, costumeiramente em rápida leitura. Neste, o autor valorizou o fato real para contar um pouco da história de Jararaca, jovem cangaceiro. Foi soldado, tinha gênio indômito e, por conta disso, tornou-se um dos cabras de Lampião, morrendo no malfadado ataque a Mossoró (RN) onde Lampião e seu bando foram rechaçados.
Achei legal e singelamente interessante a construção, que em brevidade mostra cenário de dificuldades ao sertanejo e valorização do homem aguerrido para o trabalho, sujeito à injustiças diante de abandono governamental e corrupção, onde o cangaço tornava-se convidativo. Poucas linhas, mas muito acerto na percepção.
O ponto que ficou a desejar foi a ausência de informações sobre o Jararaca após a morte. O cangaceiro é tido como santo no imaginário para alguns. Deve-se a altivez que manteve na tortura como prisioneiro, despertando também pena por ter sido enterrado ainda vivo. Essas coisas não foram contadas no cordel que, essencialmente, é centrado na apresentação histórica, sem apelo mítico, de mais um dos cangaceiros afamados pelo sertão.