MUMFORD, Lewis. A Cidade na História, São Paulo, Martins Fontes, 1998, - capitulo 1 Santuário, aldeia e fortaleza ( págs. 9-36).
Lewis Mumford (19 de outubro de 1895 - 27 de janeiro de 1990) foi um historiador estado-unidense que pesquisou nas áreas da arte, ciência e tecnologia. Foi também escritor, crítico literário e professor.. O livro A CIDADE NA HISTÓRIA é um retrato imaginativo do desenvolvimento do homem como ser religioso, político, econômico e cultural. É uma visão cativante do passado e do presente em sua complexidade; também uma profecia para o futuro - da cidade e da civilização humana.
Palavras chave: História, aldeia,mortos, religião, domesticação,agricultura e cidades
- Sem uma longa saída pela História, não teremos a velocidade necessária para empreender um salto ousado para o futuro. (História-Futuro)
- No alvorecer da História, a cidade já é uma forma amadurecida (Cidade amadurecida).
- Com uma consciência maior do nosso passado estaremos em condições de enfrentar a decisão imediata que ora se apresenta ao homem. : Irá dedicar-se ao desenvolvimento de sua condição humana ou integrar-se as forças automatizadas e ceder o lugar a seu desumanizado alter-ego, o homem pós-histórico. ( Consciência)
-Situaremos em bases falsas todo o problema da natureza da cidade, se procuramos apenas estruturas permanentes, amontoados por trás de uma muralha. (estruturas permanentes).
-A vida humana agita-se entre dois pólos: movimento e repouso.
-O senso de isolamento defensivo tem esse remoto antecedente na evolução animal. (senso de isolamento)
-Em meio às andanças inquietas do homem paleolítico, os mortos foram os primeiros a ter uma morada permanente.
-Mais importante que a sua funcionalidade doméstica foi o papel que a caverna desempenhou na arte e no ritual.
- Antes mesmo que a cidade seja um lugar de residência fixa, começa como ponto de encontro aonde as pessoas voltam para o intercurso e o estimulo espiritual. (residência)
-A domesticação implica em duas largas mudanças: a permanência e a continuidade de residência e o exercício do controle e previsão dos processos outrora sujeitos aos caprichos da natureza. ( permanência e continuidade)
-A casa e a aldeia e com o tempo a própria cidade são obras da mulher. Nos hieróglifos¹ egípcios, casa ou cidade podem surgir como símbolos de mãe. (mulher)
-Antes de começar a existir a cidade a aldeia já criara o vizinho, dentro de uma distância onde é fácil chamá-lo. (vizinho)
- A mais primitiva moradia que já se descobriu na Mesopotâmia, segundo Robert Braidwood(1907-2003), é um buraco cavado no colo e ressecado pelo sol até ganhar a consistência de tijolos; e, o que é mais notável, essa primeira casa parece antecipar qualquer forma de cerâmica de argila. ( Cerâmica)
-Até na aldeola² mais primitiva, havia um pote afundado no piso para recolher a água da chuva que entrava pelo teto. A aldeia tinha um celeiro comum, constituído de cestos tecidos enfiados na terra. (Pote)
- A estrutura embrionária da cidade já existia na aldeia: Casa, oratório, poço, via pública e o ágora³. (estrutura)
-O que os castelos e fortificações mostram não é a guerra e o conflito entre comunidades em oposição, mas o domínio unilateral de um grupo relativamente grande por uma pequena minoria. (domínio unilateral)
- O componente rejeitado da cultura anterior (de caça) tornou-se o novo dominante na comunidade agrícola, mas era agora obrigado a desempenhar a tarefa de governar uma espécie superior de colônia. As armas já não serviam apenas para matar animais, mas para ameaçar e dominar homens. (o uso das armas união neolítica e paleolítica).
- Nessa união (neolítica e paleolítica) ocorreu a mais ampla espécie de cruzamento e entremistura. Isto deu a cidade potencialidades e capacidades que nem o caçador, o mineiro, o criador de gado, jamais teriam sido capaz de explorar.
- Os componentes originais da cidade jamais desapareceram. Cada um deles continua a florescer por si mesmo. A Aldeia se propagou por toda a Terra de maneira rápida e eficiente. Agora, esta prestes a se deixar vencer pela urbanização. ( aldeia- urbanização)
Opinião
O texto apresenta a funcionalidade da arquitetura diante das necessidades humanas em suas organizações sociais mais primórdias. Contudo, a afirmação de uma filosofia arquitetônica fica as margens dessa necessidade encaminhando o leitor ao real papel das construções e aproximações humanas antes mesmo de serem apreciadas de outra forma.
As origens da organização humana, sua inspiração nos seres da natureza, a preocupação com os mortos e o papel da mulher são os pontos culminantes nesta aventura ao passado que promove uma perspectiva clara sobre o futuro.
Glossário
¹hieróglifos - do Gr. hierós, sagrado + glyphein, gravar- nome dado aos caracteres da escrita dos antigos Egípcios.
²aldeola- Aldeia pequena
³ ágora- s.f. mercado