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    De volta para casa (Crianças Desajustadas #1) -

    Seanan McGuire

    Morro Branco
    2018
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788592795252
    Português Brasileiro
    3.8
    1729 avaliações
    Leram2012Lendo42Querem2187Relendo2Abandonos48Resenhas292
    Favoritos173Desejados2187Avaliaram1729

    Volume 1 da série Crianças Desajustadas ''...e a única pessoa que pode lhe dizer como sua história termina é você''. Crianças sempre desapareceram nas condições certas: escorregando pelas sombras debaixo da cama, atrás de um guarda-roupa ou caindo em buracos de coelhos e em poços velhos, para emergir em algum lugar... diferente. Nancy viajou para um desses lugares, e agora está de volta. As coisas que ela viu... mudam uma pessoa para sempre. E as crianças sob os cuidados de Eleanor West compreendem isso muito bem: cada uma delas procura a porta de volta ao seu próprio universo fantástico, mas poucas conseguem encontrá-la. Afinal, mundos mágicos têm pouca utilidade para crianças cujos milagres já foram usados. A chegada de Nancy marca também uma terrível mudança no internato. Há uma escuridão pairando à cada esquina, e quando a tragédia ataca, Nancy e seus colegas precisam desvendar o mistério. Não importa o custo.

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    Tamirez Santos picture
    Tamirez Santos30/07/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    DE VOLTA PARA CASA - Seanan McGuire

    Eu estava aguardando esse livro já fazia um bom tempo. De Volta Para Casa é uma novela, e portanto uma história mais curta, porém não tão curta como um conto. Aqui vamos encontrar uma narrativa de realismo mágico e, se você conhece o gênero (ou não), deve ir sabendo que não teremos todas as explicações sobre como essas portas aparecem ou o que é esse lugar para onde as crianças vão. Recebemos, logicamente, algumas informações, mas o bêabá fica de fora e é preciso fazer a paz com isso para aproveitar a história. Há toda a uma separação em categorias desses locais, já que cada jovem vai para um diferente. De acordo com as características que eles relatam, Eleanor categoriza e distribui, para que eles fiquem juntos de pessoas que dividem experiências parecidas. Esses locais parecem, de certa forma, serem reflexos de coisas que essas crianças precisam ou sentem, e que nem sabiam necessitar. Ao chegar lá, se tiverem uma experiência positiva, vão se completar, e a tarefa de “voltar para casa” vai ser na verdade o oposto disso, já que sentirão que estão deixando sua verdadeira casa para trás. Eu gostei muito desse ponto interpretativo e consegui ver várias metáforas pra isso no nosso mundo real. O normal, o que temos como certo, nem sempre funciona ou deixa todo mundo confortável. Cada um, a sua maneira, precisa encontrar o seu local no mundo e a sua verdadeira “casa”. E, às vezes, são pequenas portas que se abrem pra gente, ao invés de apenas uma ao longo da vida. É um livro que lemos e que nos apresenta um novo mundo, é aquele seu hobby que te desconecta da realidade e faz você ter um momento completo de flow. “A esperança machuca. É isso que você precisa aprender, e rápido, se não quiser que a esperança corte você de dentro para fora.” E, apesar de estarmos lidando com “crianças”, os adolescentes tem uma linguagem que não incomoda ou infantiliza a narrativa. Nancy está muito segura de si e vivendo uma época em que é difícil conviver com os pais sem que nada fantástico tenha acontecido, com esse fator então, missão impossível. E cada um dos jovens possui uma personalidade bem diferente, dando mais vivacidade a eles. Meus favoritos são Sumi e sua irreverência e Kade com o ar misterioso. A casa de Eleanor, porém, não é a única no mundo, e não é todo mundo que tem uma experiência bacana. Há quem volte completamente desestabilizado ou em pânico e há outros lugares escondidos pelo mundo para ajudar esses jovens. O bacana de uma novela é que tudo precisa acontecer de forma dinâmica, já que são menos de 200 páginas de história. Assim, logo no começo já somos apresentados ao real problema, tornando a trama acelerada. Não vou mentir e dizer que o desfecho foi uma grande surpresa. Há pistas suficientes ao longo das páginas para que você descubra quem é o responsável pela situação muito antes de ser realmente revelado. Entretanto, acredito que o diferencial da obra não está nesse desfecho e sim em instigar o leitor a tentar desvendar todos os mistérios desse universo e das possibilidades que se abrem sempre que uma nova porta surge. E, há uma surpresinha no final que fez com que a jornada valesse ainda mais a pena! “A morte era preciosa. Isso não mudava o fato de que a vida era limitada.” Vale a pena também mencionar que esse é um livro com bastante representatividade e trabalhada aqui de forma bem “leve”. A autora escolhe nos contar sobre certos personagens e suas identidades de gênero como parte da apresentação deles ao leitor. Conforme outros personagens confrontam eles, temos um leve desenvolvimento do assunto, mas nunca se torna o foco ou vemos aquilo ser forçado dentro da história. De Volta Para Casa foi um livro que atendeu as minhas expectativas e me mostrou como uma história pode ter muitas histórias para contar. É um daqueles livros que faz a gente se perguntar qual é o nosso real papel nesse mundo sem precisar falar sobre isso de forma direta, e que usa a famigerada metáfora da “porta” para nos conectar com esses questionamentos que fazem parte da vida real (ou deveriam). E ai, você já encontrou a sua casa?

    49 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 1729
    • 5 estrelas20%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas31%
    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas2%
    Seanan McGuire profile picture

    Seanan McGuire

    Seanan McGuire nasceu em Martinez, na Califórnia, e foi criada em uma ampla variedade de locais, a maioria deles dotada de algum tipo de vida selvagem perigosa. Apesar de sua atração quase magnética por qualquer coisa venenosa, ela, de alguma forma, conseguiu sobreviver por tempo suficiente para adquirir uma máquina de escrever, um domínio razoável da língua inglesa e o desejo de combinar os dois. O fato de não ter sido morta por usar sua máquina de escrever às três da manhã provavelmente é mais impressionante do que não ter morrido por uma picada de aranha. Descritos muitas vezes como um vórtice de surrealismo, muitos dos casos de Seanan terminam com coisas como “e aí nós conseguimos o antídoto”, ou “mas tudo bem, porque acabou que a água não era tão profunda assim”. Ela ainda está para ser derrotada em um jogo de “Quem aqui foi picado/mordido pela coisa mais estranha?” e é capaz de se divertir durante horas com quase qualquer coisa. “Quase qualquer coisa” inclui pântanos, longas caminhadas, longas caminhadas em pântanos, coisas que vivem nos pântanos, filmes de terror, ruídos estranhos, peças musicais, reality shows, histórias em quadrinhos, encontrar moedas de centavos nas ruas e répteis venenosos. Talvez ela seja a única pessoa no planeta Terra a admitir que usou o livro Filmes de Terror dos anos de 1980, de John Kenneth Muir, como guia para marcar os filmes que via. Seanan é autora das fantasias urbanas de October Daye e InCryptid, e de vários outros trabalhos, tanto em livros únicos quanto trilogias ou duologias. Caso isso não seja o bastante, ela também escreve sob o pseudônimo Mira Grant. Em seu tempo livre, Seanan grava CDs de suas músicas de fã originais, ligadas à ficção científica e à fantasia. Também é cartunista, e desenha uma webcomic autobiográfica com postagens irregulares chamada “With Friends Like These...” [Com amigos assim...], além de gerar um número verdadeiramente ridículo de cartões artísticos. Por incrível que pareça, ela encontra tempo para fazer caminhadas que duram várias horas e postagens regulares em seu blog, assistir a uma quantidade doentia de programas de TV, manter seu website e ver praticamente qualquer filme que tenha as palavras “sangue”, “noite”, “terror” ou “ataque” no título. A maior parte das pessoas acredita que ela não durma. Seanan vive em uma antiga casa de fazenda cheia de rangidos no norte da Califórnia, que ela divide com seus gatos, Alice e Thomas, uma vasta coleção de bonecas sinistras e filmes de terror, além de livros em quantidade suficiente para qualificá-la como um risco de incêndios. Ela tem crenças firmes e frequentemente expressas sobre as origens da Peste Negra, dos X-Men e da necessidade de motosserras no dia a dia. Depois de anos escrevendo blurbs para livros de programas de convenções, Seanan adquiriu o hábito de escrever todas as suas biografias em terceira pessoa, para que soem levemente menos bobas. Ênfase no “levemente”. É bem provável que não ajude o fato de ela ter tantos hobbies assim. Seanan foi a ganhadora do Prêmio John W. Campbell de Melhor Nova Escritora em 2010, e seu romance Feed (como Mira Grant) foi nomeado um dos Melhores Livros de 2010 pela Publishers Weekly. Em 2013, ela se tornou a primeira pessoa a aparecer cinco vezes na mesma edição do prêmio Hugo.

    59 Livros
    36 Seguidores
    Califórnia - Geórgia, Estados Unidos

    Seanan McGuire