"De maneira rigorosa, a autora disseca o processo de transformações no sistema bancário brasileiro a partir do avanço da informática e as ressonâncias desse processo na subjetividade do trabalhador bancário. Os impasses e dificuldades do movimento sindical estão aí elegantemente expostos, convidando-nos à reflexão e à busca de alternativas diante de tais desafios." (Ricardo Berzoini)
Como parte da apresentação do livro pelo então presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, na gestão 1994 a 1997, nos preparamos para atravessar esse deserto árido que é a visão marxista do trabalho e das relações entre patrões e trabalhadores.
"Nos bancos, a obtenção de níveis satisfatórios de lucratividade e competitividade depende essencialmente da qualidade dos serviços oferecidos e da eficiência no atendimento à clientela, conforme Eduardo Almeida. O atendimento ao cliente constitui, hoje, o grande fator de diferenciação competitiva entre os bancos, já que as inovações tecnológicas são rapidamente difundidas e assimiladas. Daí a necessidade de investimentos constantes, não somente em pesquisa e tecnologia e no aperfeiçoamento de serviços e "produtos", mas também na qualificação da força de trabalho responsável pelo contato com o público." (trecho de As Transformações do Trabalho sob a Acumulação Flexível, in: As Metamorfoses do Trabalho Bancário)
No segundo capítulo, a autora traça o histórico da evolução [sic: metamorfose] bancária desde a década de 30 até meados do fim do século, quando foi escrito, trazendo também a luta dos bancários em se adaptar às mudanças constantes. Com uma visão marxista, a autora não considera a maioria dos serviços bancários como digno ao povo, por isso toda vez que fala de "produtos" (seguros, investimentos, etc) os coloca entre aspas, pois considera isso como um "produto" fruto do capitalismo, da globalização, da burguesia, da acumulação, da poupança, do mal etc. e tal. Também há uma crítica às evoluções tecnológicas, que destroem empregos mas criam outros mais especializados, marginalizando os bancários. Isso em um livro escrito antes da era da internet, imagina uma atualização escrita hoje! O Banco Intermedium, o Nubank, os serviços digitais seriam demonizados ao máximo, pois não há tratamento humano entre as partes. Agora, pergunto, Profª. Dra. Jinkings, fazes uso dessas benesses tecnológicas ou não? A solução do desemprego atual seria substituir os computadores por mão-de-obra humana, voltando a anotar as transações bancárias a caneta em um livro-razão?
O terceiro e último capítulo tem como título "A consciência do trabalho em seu modo de ser contraditório", onde a autora problematiza a questão do trabalho e, mais especificamente, do trabalho bancário, com termos tipicamente marxistas como fetichização do produto, estranhamento ou alienação do trabalhador, reificação, luta de classes, entre outros. Bem, eu não quero entrar no mérito, pois não tenho competência para ser intelectual e nem participar da intelligentsia. Claro, não confio piamente na classe patronal ou no capitalismo, mas será que essa retórica socialista não está ultrapassada?"
E, por fim, friso que também sofro com o sofrimento dos bancários ante à evolução bancária, os problemas de saúde como a tuberculose e a psiconeurose bancária, as demissões e desrespeito às leis trabalhistas, que a autora bem levantou. Mas a solução final não é a marxista, como a autora busca, pois daí ficamos como um cachorro correndo atrás do rabo: acaba-se com os bancos "burgueses" e, consequentemente, com os empregos que ainda fornece? Ou os estatiza para servir, não ao povo, mas a uma elite poderosa ligada ao "partido"?