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    A cidade dorme - Contos

    Luiz Ruffato

    Companhia das Letras
    2018
    122 páginas
    4h 4m
    ISBN-13: 9788535926644
    Português Brasileiro
    3.6
    44 avaliações
    Leram61Lendo4Querem63Relendo0Abandonos1Resenhas4
    Favoritos1Desejados63Avaliaram44

    Em vinte narrativas, uma reflexão sobre o Brasil, as relações familiares e a memória. Luiz Ruffato adentra o labirinto das formas breves neste A cidade dorme. O volume reúne vinte narrativas escritas nos últimos quinze anos pelo autor. Juntas, compõem um painel poderoso sobre a passagem do tempo e as dinâmicas da família e da memória. A partir de um ponto de vista pouco presente na literatura brasileira, o do trabalhador urbano, Ruffato tece uma reflexão contundente sobre o Brasil dos grandes centros e periferias. O percurso é claro: da infância à idade adulta, da margem ao miolo nervoso das metrópoles e da linguagem. A meninice nos anos 1960; histórias sobre futebol e a ditadura; questões ligadas à violência urbana; o universo das drogas, tudo vai se mesclando neste livro, que confirma o lugar único de Luiz Ruffato na literatura contemporânea brasileira.

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    Tiago Germano picture
    Tiago Germano02/05/2020Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Modorra

    Há três segmentos ocultos na estrutura de organização das narrativas breves de "A Cidade Dorme", coletânea de contos de Luiz Ruffato. Tais segmentos podem funcionar, também, como grandes núcleos temáticos que norteiam sua obra como romancista (bem mais regular e consistente): 1) O passado, familiar e provinciano, evocado pelo presente metropolitano solitário; 2) As circunstâncias político-culturais da geração dos anos 1960, às voltas com a ditadura e o gradual processo de crescimento econômico e redemocratização; 3) Aquele presente metropolitano, sob a ótica operária e marginal, atravessada por uma linguagem calcada no ruído da contemporaneidade. Talvez por só alcançarem uma unidade neste corolário pacientemente burilado, título a título, desde sua festejada estreia no romance com "Eles Eram Muitos Cavalos" (20o1), este compilado de histórias publicadas aqui e ali, ao longo da carreira de Ruffato, soe tão vacilante quando analisada isoladamente, à luz de enredos precocemente interrompidos por um escritor claramente de maior fôlego. Não à toa, uma das melhores peças do conjunto é uma das mais longas: "Água parada", texto dedicado a Cristovão Tezza que inaugura o segundo e mais potente segmento do livro, com o seu acento geracional comum aos dois escritores (pelo menos quando falamos de um primeiro Tezza, ainda marcado por seu passado hippie e a influência do mentor Rio Apa). É o ponto alto do livro, introduzindo quiçá o mais bem sucedido dos contos (o belíssimo "O Dia em que encontrei o meu pai") e um dos poucos entre eles que funciona sem o suporte formal - largamente explorado no segmento posterior: o conto "Sem Pensar". O volume finaliza com os procedimentos de linguagem que consagraram Ruffato numa estética que muitos já chamaram de "romance-instalação", e que compõe parte da sua saga proletária "Infernos Provisórios". O último conto, "A alegria", é provavelmente o mais longo e mais pitoresco da coletânea. Em linhas ainda imaturas, dele parece se sobressair o narrador que, mais tarde, renderá o Oséias de "Verão Tardio", este sim um grande testemunho da maturidade de Ruffato, ainda invisível nestas páginas.

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    3.6 / 44
    • 5 estrelas18%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas39%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas0%
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    Luiz Ruffato

    Luiz Ruffato (Cataguases, fevereiro de 1961) é um escritor brasileiro. Formado em Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, exerceu jornalismo em São Paulo. Publicou Histórias de Remorsos e Rancores (1998) e Os sobreviventes em 2000, ambos coletâneas de contos. Ganhou os prêmios APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional com o romance Eles Eram Muitos Cavalos, de 2001. Este livro foi publicado também em: Itália (Milão, Bevino Editore, 2003), França (Paris, Métailié, 2005), Portugal (Espinho, Quadrante, 2006). Em 2002, publicou As máscaras singulares (poemas) e Os Ases de Cataguases, contribuição para a história dos primórdios do Modernismo (ensaio). Em 2005, iniciou a série Inferno provisório, projetada para cinco volumes, com os livros Mamma, son tanto felice e O mundo inimigo. Destes seguiram-se Vista parcial da noite e O livro das impossibilidades. Esses romances foram premiados pela APCA como melhor ficção de 2005. Prêmios: 2001 - Prêmio APCA de Melhor Romance - "Eles eram muitos cavalos" 2001 - Menção Especial no Prêmio Casa de las Américas 2005 - Selecionado para Bolsa Vitae 2006 - Finalista do Prêmio Portugal Telecom 2007 - Finalista Prêmio Jabuti 2012 - Finalista Premio São Paulo de Literatura 2013 - Prêmio Casa de las Américas - “Domingos Sem Deus” 2015 - Prêmio Jabuti - “A história verdadeira do sapo Luiz“ 2016 - Prêmio Internacional Hermann Hesse 2016 OBRAS: ROMANCE: - Eles eram muitos cavalos - São Paulo: Boitempo, 2001. - Mamma, son tanto felice (Inferno Provisório: Volume I). Rio de Janeiro: Record, 2005. - O mundo inimigo (Inferno Provisório: Volume II). Rio de Janeiro: Record, 2005. - Vista parcial da noite (Inferno Provisório: Volume III). Rio de Janeiro: Record, 2006. - De mim já nem se lembra. São Paulo: Moderna, 2007. - O livro das impossibilidades (Inferno Provisório: Volume IV). Rio de Janeiro: Record, 2008. - Estive em Lisboa e lembrei de você. São Paulo: Cia das Letras, 2009. - Domingos sem Deus (Inferno Provisório: Volume V). Rio de Janeiro: Record, 2011. - Flores Artificiais. São Paulo: Cia das Letras, 2014. POESIA: - As máscaras singulares - São Paulo: Boitempo, 2002. - Paráguas verdes - São Paulo: Ateliê Acaia, 2011. - O amor encontrado - São Paulo - Edição não comercial, 2013. CRÔNICA: - Minha primeira vez - Porto Alegre: Arquipélago, 2014 INFANTIL: - A história verdadeira do Sapo Luiz - São Paulo: DSOP, 2014 ENSAIO: - Os ases de Cataguases (uma história dos primórdios do Modernismo) - Cataguases: Fundação Francisca de Souza Peixoto, 2002.

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    Minas Gerais, Brasil

    Luiz Ruffato