Invisíveis Marias - Histórias além das quatro paredes

    Rejane Jungbluth Suxberger

    Tagore Editora
    2018
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-13: 9788553250073
    Português Brasileiro

    REJANE JUNGBLUTH SUXBERGER, juíza de violência doméstica no Distrito Federal, deixa a toga de lado para compartilhar o mundo de sentimentos que agride os que se aventuram pelo sistema de justiça criminal e lutam para permanecer sensíveis a isso. As narrativas remontam os fracassos, as insuficiências, os poucos êxitos, os esforços, enfim, os dramas que passam desapercebidos a quem desconsidera desde os gritos da vizinha até o pedido de socorro em forma de processo. Permitir-se conhecer esses dramas é compartilhar o desabafo de quem se recusa a perder a humanidade.

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    Vanessa20/06/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Muito se fala sobre feminicídio, mas pouco se problematiza as pequenas agressões simbólicas, patrimoniais, verbais ou físicas que mulheres sofrem todos os dias no ambiente chamado de lar, mas que muitas vezes é o inferno na terra. Algumas práticas e comportamentos são tão arraigados na nossa ratio machista, que são considerados naturais - até chegarem ao ápice do feminicídio/tentativa de. Esse livro é escrito por uma juíza e conta casos reais presenciados nas audiências de violência doméstica presididas por ela. Especialmente aqueles que não têm contato com o judiciário deveriam ler para conhecer a dinâmica das audiências, o porquê da resistência de algumas mulheres em denunciar (tão mal compreendida aos olhos da sociedade) e os pequenos/extremos casos que protagonizam dia a dia na mão de homens que as tratam como propriedade. É um livro curto, me emocionei com muitas histórias. Me indignei com todas. Algumas são tão bizarras, tristes e ridículas que seria difícil o cidadão comum acreditar, se não tivessem chegado no judiciário. Mas nós que estamos ali diariamente sabemos bem o quão reais elas são. Minha única crítica é que a autora as vezes utiliza termos jurídicos em falas das partes, o que, pela própria condição de pobreza e simplicidade relatada, é um pouco/muito improvável que elas realmente tenham dito aquilo. Mesmo assim, vale muito a pena. Mais uma reunião de histórias que denunciam a constante misoginia e machismo que essa sociedade hipócrita insiste em negar.

    1 curtida

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