O cangaço, sua origem e os bravos cangaceiros (Cordel) - J. Victtor

    não informado

    ABLC
    2006
    20 páginas
    40m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Literatura de Cordel sobre o Cangaço.

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    R .05/02/2018Resenhou um livro
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    Essencialmente, uma maranduba do cangaço. Mas espera lá! Maranduba é coisa indianista, de um contexto idílico da natureza, e cangaço remete a cenário visceral em elementos que impõem ao homem rusticidade para sobrevivência, causticando e talhando alguns como, no que denominou Pernambucano de Mello, "Guerreiros do Sol". Ufa! Cheguei ao gancho que queria: a clássica obra de Mello. Quem leu vai reconhecer muita coisa nesse cordel, que dá toda pinta de ter sido inspirada nela em um canto enfatizando elementos históricos e também míticos sobre o cangaço. Tal qual o Guerreiros, vai buscar a origem do cenário no avanço do gado e culturas como a cana-de-açúcar nos sertões, levando os homens a embates com os proprietários legítimos da terra antes da chegada saqueadora de Cabral. Também a embates com feras do sertão. O homem é isolado, vivendo a margem de leis, em disputas constantes, tendo que se fazer de forte para vencer a morte, desenvolvendo um espírito aguerrido e tendencioso a valentia, que o leva muitas vezes a trabalhar como jagunço e, na independência a tudo, por esses e outros motivos, deixando-se seduzir pelo cangaço. Exatamente o novelo desenrolado por Pernambucano de Mello, recontado de forma instigante por J. Victtor, o cordelista. A primeira parte é histórica, nos termos citados. Depois vemos alguns cangaceiros mencionado (Cabeleira, Jesuíno Brilhante, Lucas da Feira, Antônio Silvino, Sinhô Pereira, até entrar em cena quem, quem... Raimundo Nonato! KKKK! Mais do que claro né! O cabra da peste Virgulino Ferreira, o Lampião, boiadeiro das selvas nordestinas, sem temer a perigos nem ruínas, foi o rei do cangaço no sertão, etc e tal, em outro canto, infinitamente mais conhecido que esse cordel. A parte mítica é da descrição dos cangaceiros em diante, em que o cordelista dá uma ovacionada aos cabras, tratando como heróis e, a essa altura, fugindo das considerações de Pernambucano de Mello, pois cangaço foi essencialmente banditismo sem pretensão nenhuma de qualquer ideal político e sociológico. Leitura interessante e, mais uma vez expressando as conclusões a que cheguei, acredito que o tal do heroísmo nada mais é que a admiração pela valentia e insubmissão a autoridades arbitrárias, tomando conta das rédeas do destino. É a projeção que fazem, mas acabam esquecendo o mundo de perversidades para ostentar essa visão romântica. Arriégua! Cangaceiro foi bandido e nada mais que isso.

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