"Sessenta dias em Trindade" - Karina Reid
Li "Sessenta Dias em Trindade" em umas duas horas talvez. O livro é muito gostoso de ler e bem engraçado. O enredo principal é clichê e previsível mas do tipo agradável de ler. O melhor para mim neste livro são as ambientações, o livro se passa no Brasil, em Trindade, uma ilha que eu não conhecia e que se mostrou um pedaço do mais furioso paraíso em terra. Neste livro temos Stella, a nossa protagonista, Doutora em biologia com especialização em tartarugas, logo, ouvimos muito sobre elas, o que achei interessantíssimo. O romance se desenvolve em um Slow Burn delicioso de se ler e as cenas de hot são muito bem escritas, mas o romântico da história em si não é tão apetitoso. Durante a leitura tive a falsa sensação de apego aos personagens mas analisando, todos são mal desenvolvidos, e não digo isto como uma leitora de "Trono de Vidro" que teve 8 livros para analisar cada exploração de cada parte das personagens, não, digo como leitora de romance que necessita de no mínimo um desenvolvimento básico dos personganes. As vezes prefiro que os autores não coloquem traumas, nem conflitos nas personalidades de seus livros já que não os exploram e tudo fica muito simplista, superficial e até mesmo desrespeitoso como foi o caso do passado do nosso mocinho, Eric, um mocinho de tirar o fôlego, militar da marinha e absurdamente quente. Em certo momento do livro Eric expõe - em um monólogo - parte fundamental da sua construção, um trauma TÃO forte e intenso que deveria ter sido tratado com reverência mas foi - na minha opinião - jogado ali sem ter sequer um cuidado de no mínimo expor a protagonista e tratar do assunto. Ele "supera" este trauma de forma extremamente "band-aid". O trio de amigos principa, Stella, Cláudia e Rafael são super engraçados e trazem um alívio cômico interessante para o livro, dei algumas risadas com seus diálogoos malucos. O casal em si tem toda a tensão de um bom slow burn, mas a partir do momento em que temos a concretização do romance em si senti TANTA superficialidade. Num geral a ambientação é maravilhosa, os dados intertextuais que a autora traz me fizeram adorar mais ainda o cenário, os personagens são engraçados e o slow burn é bem feito. Mas é realmente um romance adolescente entre dois adultos de 25 e 32 anos, o que me incomoda um tanto, a Stella, mesmo sendo uma Doutora, instruída e intensa parece uma criança em muitos momentos, e o Eric, me militar de carreira, comandante, homem feito, parece um menino mimado que teve seu brinquedo roubado por um coleguinha. Essa superficialidade tira toda a magia da leitura. Por fim, recomendo o livro como uma leitura leve e descontraída, para fazermos quando estamos a fim de deixar o senso crítico de lado Me apaixonei por Trindade e por tartaruguinhas então valeu a pena. Triste mesmo foi a continuação, mas isto é assunto para outra resenha... beijos, bela 🖤
