A Segunda Guerra Mundial é um tema que adoro e por isso é algo recorrente aqui no blog. Mesmo com a grande diversidade de livros sobre o tema, fica claro que há narrativas e contextualizações diferentes, e isso serve apenas para enriquecer um tema profundamente explorado e que ainda desperta interesse em muitos leitores, mas há algo nesses livros que são sempre abordados, o sofrimento, o medo e o comportamento humano em face aquele que é diferente de si. Robert Harris em Munique retrata um momento histórico importante que antecedeu aquela que ficou conhecida como a maior guerra de toda históra, ele traz à luz o Acordo de Munique, um acordo celebrado em 29 de setembro de 1938 na cidade que dá título ao livro.
Apesar do tratado ser um ponto importante do livro, o enredo tem como foco principal Hugh Legat, o secretário do até então primeiro-ministro britânico Nevile Chamberlain, e Paul von Hartmann, terceiro secretário do Ministério de Relaçoes Exteriores na Alemanha. Hugh e Paul se conheceram na Universidade de Oxford e desde então mantiveram uma relação de amizade. No ano de 1933 Hugh e Paul na companhia de uma colega resolveram visitar a Alemanha, mas a experiência não foi muito satisfatória e desde então cada um seguiu o seu caminho.
Nessa época a Austria fora anexada pela Alemanha nazista e isso ocorreu sem que as forças armadas alemãs disparassem um único tiro. Hitler não satisfeito, ameaça invadir a Tchecoslováquia, especificamente no território dos Sudetos sobre o pretexto que há uma grande quantidade de alemães no território. Diante das inúmeras ameaças de Hitler e com a paz fragilizada na Europa, o primeiro-ministro inglês não encontra muitas opções para frear o ímpeto nazista, pois as forças armadas inglesas não estão preparadas para enfrentar tamanha força demonstrada pelo terceiro Reich. Buscando a paz, Chamberlain propõe uma conferência com a participação da Alemanhã, França, Inglaterra e Itália.
Enquanto isso, Paul Hartmann participa secretamente de um grupo anti-Hitler e o objetivo é tirar nazista do poder, só que a assinatura de acordo de paz elaborado por Chamberlain é um obstáculo para o golpe que planejam, pois eles acreditam que uma guerra pode deixar a população insatisfeita e isso seria um facilitador para a queda de Hitler. Buscando formas de evitar o acordo de Munique, uma rede de contatos é movida com o objetivo de promover o reencontro de dois amigos que não se encontram desde 1933, Hartman e Legat. Eles estão em lados opostos, mas ainda assim possuem visões iguais e por isso o destino os une mais uma vez.
Opinião: Robert Harris ao elaborar o enredo de Munique fez uso de elementos históricos e ficcionais. Aqui ele demonstra o caos do ano de 1938 e alguns acontecimentos que antecederam a Segunda Guerra Mundial. Chamberlain foi uma figura histórica vista por muitos como ingênua e covarde, não posso julgar as decisões que ele tomou no intento de manter a paz na Europa quando tentou convecer Hitler a aceitar uma fatia da Tchecoslováquia para que não entrasse em guerra. O líder nazista por sua vez, nunca ficou completamente satisfeito com a anexação da Aústria ou mesmo de parte dos Sudestos da Tchecoslováquia, ele seguia seus ideais de forma obstinada e queria a expansão da Alemanhã pela Europa, talvez por isso Chamberlain foi visto como ingênuo ao achar que Hitler se daria por satisfeito.
Munique é um livro com vários momentos de tensão, é uma experiência única ao retratar uma importante parte da história do século XX. Harris tem uma imensa capacidade em criar e recriar cenários, sendo bem preciso e detalhista ao descrever pessoas, ruas e lugares, e por isso nos passa a sensação de estarmos assisintindo algum filme ou mesmo conhecendo de perto a Alemanha outrora nazista. Fica claro que ele realizou pesquisas históricas, tamanho os detalhes apresentados. Outro aspecto interessante e positivo é o clima de temor ao redor dos governantes da época retratado pelo autor. Eu já conhecia Harris por causa de outros livros dele que cheguei a pesquisar e me interessar, mas até então nunca tinha lido nada dele. Contudo, posso dizer tranquilamente que essa minha primeira experiência com a escrita do autor foi muito boa.
Eu acredito que fãs de suspense, ficção histórica e principalmente sobre a história que antecede a Segunda Guerra Mundial, como eu, vão adorar a leitura de Munique. Esse é um livro que fornece tanto entretenimento quanto conhecimento, e apesar do início lento e por ora tedioso, é um livro que desperta curiosidade, toma a nossa atenção e torna-se agradável. Recomendo fortemente Munique para você que quer conhecer o passado, mas principalmente um episódio importante no período pré-guerra.