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    O marinheiro de Gilbraltar -

    Marguerite Duras

    Guanabara
    1987
    396 páginas
    13h 12m
    ISBN-10: 8527700387
    Português Brasileiro
    4.4
    9 avaliações
    Leram19Lendo4Querem20Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos1Desejados20Avaliaram9

    Marguerite Duras conta, em primeira pessoa, as viagens de um homem que decide subitamente mudar de vida. Funcionário de um ministério no qual passa os dias recopiando certidões de nascimento e de óbito, é um homem só, sem paixões e tem uma namorada que não ama mais. É durante uma viagem à Itália com ela, para Florença, durante um calor canicular, que ele toma a decisão de deixar tudo. Ele procura primeiramente reencontrar o motorista que os conduzira de Pizza à Florença e que o tinha feito tomar consciência de quão absurda era sua situação. Ele parte primeiramente para Rocca, pequeno porto de pescadores na costa italiana. Jacqueline, sua amiga, o acompanha. Ele não encontra mais seu motorista mas encontra Anna, uma rica e bela jovem que navega os mares em um magnífico iate à procura do marinheiro de Gibraltar, seu amor desaparecido. Ele encontra, enfim, a força para deixar Jacqueline, o ministério e abandonar sua vida, antes desembarcar com aquela que os italianos chamam de Americana. Começa, então, para ele, uma nova vida feita de ociosidade, de álcool e de insônia. Ele se empenha em fazer falar a bela Anna: ele queria sobretudo saber do amor que ela havia perdido. Pela primeira vez, a jovem conta. Ela conta tudo a ele, nos mínimos detalhes. É assim que nasce entre eles uma grande cumplicidade que toma rapidamente a cor do amor. Juntos, eles continuam a viagem para encontrar este homem, guiados pelas cartas que Anna recebe algumas vezes de antigos amantes que acreditavam ter visto o marinheiro de Gibraltar. Esta indagação, que se tornou para eles um jogo, é ao mesmo tempo o que poderia separá-los e o que permite que continuem a caminhada juntos.

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    Resenhas (1)Ver mais
    Marcelo Batista picture
    Marcelo Batista04/05/2022Resenhou um livro
    0

    Esse é meu quarto livro de Dúras, e havia gostado muito dos anteriores, o que não aconteceu com esse. Fiquei pensando no motivo... Os outros três me pareceram semiautobiográficos e a personagem feminina ocupava a centralidade da história. Mais do que a sucessão de acontecimentos, a escrita me pegava por uma narrativa que mostrava o emocional das personagens. Por isso, algumas vezes, a história poderia se tornar muito monótona, mas o estilo da autora, sustentava o prazer da leitura. Nesse livro, há ainda uma personagem feminina importante, mas a narrativa é realizada por um homem, a trama ganha um pouco mais de importância, e talvez as ideias tenham mais presença do que as sensações e sentimentos. Aqui, quando a trama ficava mais monótona, o estilo não me cativava, e a leitura se tornou um pouco arrastada.

    4 curtidas

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    4.4 / 9
    • 5 estrelas56%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas11%
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    • 1 estrelas0%
    Marguerite Duras profile picture

    Marguerite Duras

    Marguerite Duras (pseudônimo de Marguerite Donnadieu) nasceu em 1914, em Gia Dihn (Vietnã), onde passou sua infância e adolescência. Após a morte do pai , em 1918, a mãe de Duras conseguiu uma pequena concessão de terra no Camboja (então colônia francesa), mas o terreno se mostraria incultivável e sua família viria a perder quase tudo com a chegada das enchentes. Esses dias na Ásia marcaram profundamente a vida de Duras. É a respeito dessa época uma de suas obras mais importantes, Barragem Contra o Pacífico (1950). O seu pai morreu quando tinha quatro anos de idade, e a sua mãe, uma professora, lutou arduamente para criar três filhos sozinha. Durante a adolescência, Marguerite Duras teve um caso com um homem chinês rico e retorna mais tarde a este período nos seus livros (nomeadamente O Amante e O Amante da China do Norte). Aos 17 anos viajou para França, onde estudou Direito e Ciência Política no Sorbonne, formando-se em 1935. Durante a II Guerra Mundial, marguerite Duras tomou parte da da Resistência Francesa, filiando-se também no partido comunista. Duras publica os seu primeiros livros em 1943 e 1944, Os Imprudentes e A Vida Tranquila, respectivamente. A partir de 1959 começa também a escrever argumentos para o cinema, dos quais Hiroshima meu amor é sem dúvida o mais conhecido e marcante. Em 1950, com Uma barrangem conhtra o Pacífico, Duras esteve muito próxima de ganhar o Prémio Goncourt. É no entanto apenas 30 anos depois que a injustiça lhe é reparada, ganhando o prémio por unanimidade com o romance O Amante. É uma autora muito fértil, com uma obra literária vastíssima, desde os romances aos argumentos cinematográficos. Afirma-se sempre com um estilo de beleza inconfundível, num tom duro e denso, por vezes até um pouco inacessível, mas sempre numa expressão profundamente genuína e humana das paixões, grandezas e misérias da vida. Marguerite Duras é por excelência uma escritora da condição humana, mas contudo não procura utilizar a escrita como forma de redenção e/ou salvação; antes, a escrita é uma exigência urgente, um valor supremo em que reside, uma vontade bruta de falar de si. As suas obras estão repletas de descrições belíssimas e soberbamente envolvidas na ambiência exótica da paisagem oriental, não sem deixarem reconhecer uma intensidade angustiada e desesperada, oriunda de uma constante luta da autora com as questões do amor e da morte. Durante a década de 1980, Marguerite Duras apaixona-se por Yann Andréa Steinner, um homem 38 anos mais novo. Duras viverá com Yann até à sua morte em 1996, mas não sem antes atravessar um duro período em que permaneceu junto do seu marida Robert Antelme, depois de este ter sobrevivido milagrosamente a uma captura pela Gestapo. Este período serviu de base para uma colecção de histórias curtas, intitulada A Dor (de 1985), um grito literário sobre a pressão sob que viveu.

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    Marguerite Duras