A leitura nessa HQ, a exemplo de outro título que li da coleção, foi satisfatória e prazerosa. Os principais contribuintes estão na arte fenomenal e na diagramação das páginas, numa estética que gosto muito. Acredito que mesmo que o roteiro fosse ruim (mas não é o caso), a obra pareceria atrativa por sua estética de sensação muito agradável na leitura.
A história, como se sabe, destaca a nobreza dos cavaleiros medievais, especialmente na parte referente aos saxões, afinal, o livro tem pretensão de engrandecimento romantizado da nação inglesa.
Acho curioso o seguinte aspecto: normandos (franceses) e saxões (ingleses) estavam em luta pela hegemonia da terra e em comum tinham a formação de cavaleiros que, em ideais maquiavélicos, maquiados como nobreza, faziam expedições à chamada Terra Santa, onde barbarizavam ou metiam-se em querelas estúpidas contra os sarracenos (árabes) e remanescentes do povo judeu. Veja aí que os judeus tinham o estereótipo de inimigos para eles. O autor introduziu no livro Isaac e Rebeca (pai e filha), que eram amigos e honrados por Cedric (nobre saxão), mas perseguidos e agredidos pelos cavaleiros templários normandos. Ahá! No ideal de engrandecimento da nação inglesa proposta por Walter Scott vemos aí uma idealização "limpa-barra" do real passado de sua nação.
E a morte do Bois Guilbert, hein! Agora percebo que fora uma estratégia de promulgar um "castigo-do-céu", incutindo a ideia da presença divina no lado saxão.
Tenho para mim também, que no regresso de Ivanhoé, o autor usou elementos de "Odisseia", referentes ao disfarce de Ulisses e amizade com o porqueiro que o ajuda secretamente.
Enfim, gostei do quadrinho e de todo devaneio provocado, equivocado ou não.