Conheci o Manoel antes da sua poesia. Ou talvez tenha sido ao mesmo tempo, durante... O fato é que foi numa noite cheia de gente, Manoel estava por lá pra nos fazer embarcar numa viagem com Pasolini. E que viagem... Só depois, e sigo sem saber como não nos esbarramos antes com tantos grupos em comum nessa cidade, só depois fui chegando na descoberta do Manoel poeta. Quando todos os acidentes acontecem, foi meu primeiro contato com sua letra em papelpoema. Sigo um tanto sem ar, não são textos quaisquer, há encadeamentos que sinalizam uma relação profunda com a palavra, com um fazer da leitura e escrita. Não sei se em delírio meu ou coisa parecida, mas senti uma presença de Llansol no seu texto "Num beijo dado mais tarde a única pergunta, antes quando profana o encontro das raspas e dos restos humanos,.." Assim como nos atravessamentos existentes no livro, principalmente em 'Groove' com textos escritos a várias mãos algo me lembrou Max Martins e seu trabalho com Age de Carvalho e outros amigos. Porém é com sutileza que vou tentando mesclar tais referências, porque ao longo do livro a voz, aquela mesma que falava de Pasolini e um tanto mais, se desenha claramente deixando sua marca. Será que me deixei levar pelo encontro fortuito? Acredito que não. No entanto, comemoro esse “acidente que ocorreu”, pois me permitiu esse escrito, entre ranhuras e ausências.

