Precisamos falar sobre imigração (islâmica)
Retomando o título das "reflexões" desenvolvidas por Burke no século XVIII, o autor também parece imbuído de, tal como o irlandês nos anos 1700, confrontar ideias preconcebidas e lugares comuns que costumam ser repetidos sem maiores aprofundamentos. Essa obra de Christopher Caldwell suscita uma variedade de discussões que transcendem os limites do próprio livro: dividido em três partes ("Imigração", "Islã" e "Ocidente"), somos apresentados a reflexões que podem incomodar aqueles que, sob o manto do "multiculturalismo" e de uma alegada "tolerância", não conseguem ou não querem enxergar que existem graves problemas relacionados à imigração muçulmana na Europa. Não se trata, como alguém poderia achar, de um autor que se opõe pura e simplesmente a esse processo. Caldwell demonstra (à exaustão) os perigos que esse processo pode desencadear (e já se iniciou) na Europa, comprometendo, inclusive, a soberania de alguns países (como ocorre nos subúrbios da França). O autor também expõe a fragilidade dos pressupostos daqueles que acham (ou melhor, idealizam) que é possível uma integração total com uma visão de mundo que, por si própria, rejeita boa parte do que é valorizado nos territórios que eles passam a ocupar (a exemplo do tratamento dado às mulheres; o respeito à autoridade). É um livro instigante e indispensável para nossos dias. Fica mais do que demonstrado que não sabemos (e talvez, sequer, possamos) lidar com um fenômeno que, frequentemente, somos tentados a julgar de acordo com nossas esperanças - de que isso se resolverá por si só ou, num golpe de mágica, haverá uma "integração" entre culturas tão díspares. Uma obra de referência.

