Nesta edição: - O pesadelo de Sarajevo: A surreal história da cidade que, nos anos 90, passou 1425 dias sob um letal cerco militar - Hipácia Mártir da ciência - O revolucionário Tanque de Guerra T-34 - Cataratas num barril - Romances de cavalaria
Aventuras na História Nº 178 (Março de 2018) - O pesadelo de Sarajevo
não informado
O que gostei mais foi a história sobre Hipácia de Alexandria. Não conhecia e agora sei que ocorreu no século IV, em Alexandria (Egito), envolvendo um embate de interesses políticos e religiosos entre o governante Orestes e o bispo Cirilo, onde ocorriam agressões de ambos os lados, que acabou em sua morte ao ser acusada de bruxaria. O que se destaca é que Hipácia era uma mulher culta, diretora da Academia de Alexandria, apoiava Orestes e, numa manobra infame do bispo, em retaliação, foi brutalmente assassinada por uma turba que se denominava cristã. A história evidencia uma mártir da projeção feminina e também a decadência do pensamento diante do fanatismo religioso, encabeçado por líderes em busca de poder. Interessante que Cirilo, considerado de ações demoníacas por muitos, integra hoje o seleto grupo de pessoas canonizadas. Interesses e manobras, como as que mataram Hipácia... Falando em interesses e manobras, a matéria de capa sobre a Guerra na Bósnia na década de 1990, faz lembrar que persistem em outras coisas terríveis, mas com os mesmos elementos da história de Hipácia: líderes tirânicos e seguidores fanáticos dispostos a colocar em prática suas manobras. A reportagem teve algumas coisas que impactaram: o maior genocídio após a Segunda Guerra e as artimanhas terríveis de opressão que envolviam estupros para humilhar os subjugados (como aconteceu com a minoria formada pelos sérvios, muçulmanos e ciganos, diante dos bósnios). O texto citou também uma das inúmeras histórias tristes dessa guerra. Emocionante e me instigou na busca de mais informes. Ficou conhecida como a história de Romeu e Julieta de Sarajevo. O jovem casal (de origem Sérvia e Bósnia, muçulmana e cristã) tentou fugir dos horrores da guerra em 1993, atravessando uma ponte na divisa entre limites Sérvio e Bósnio (saindo da Bósnia para Sérvia), onde atiradores se posicionavam. Foi baleado, morrendo abraçados e ficando nessa situação por uma semana sem quem se arriscasse a resgatar os corpos, fato que aconteceu na noite do oitavo dia, quando o exército sérvio forçou prisioneiros da Bósnia a busca-los. Tem imagens no YouTube do casal na ponte que emocionam. Não me empolguei em entender as minúcias nas origens dessa guerra e me contentei em saber os fatos que citei. Interessante o paralelo ente Modernismo e Pós-Modernismo. Em linhas gerais, o primeiro foi um movimento crescente entre o final do século 19 e início do século 20, impulsionado pelo desenvolvimento do pensamento em diferentes níveis. Preconizava uma sociedade mais justa, com expectativa de progresso diante de uma ideologia coletiva que beneficiaria a todos. Era a fé na ciência, na evolução da sabedoria. No Pós-Modernismo o pensamento passou a ser subjetivo diante de muita coisa que se estabeleceu e que na prática era injusta para minorias. Ficou marcado pelo desapego a conceitos preconizados, em valorização a pensamentos mais representativos, vistos como contracultura. Estava relacionado a oposição, a enfrentamento de ideias, quebra de paradigmas. Não é só isso, mas é por aí o que se apresentou... No destaque a dez coisas, quer dizer que a invenção da Fanta está relacionada à Segunda Guerra? A história apresentada foi a seguinte: os nazistas curtiam uma Coca-Cola, mas no rompimento com os americanos ficaram sem e buscaram uma alternativa. Aí surgiu a Fanta. Na etimologia de "Maluco" foi apresentada duas versões. Maluco referia-se a nativos das Ilhas Molucas, que enfretaram o imperialismo português, associando-se isso a uma loucura. Na outra versão, maluco teria vindo de "malos", como os espanhóis denominavam alguém com mal ou doença da cabeça. Malos então foi aportuguesado para maluco. Finalizando, no lance de biografias pouco conhecidas, poderiam mostrar a da francesa Raymonde de Laroche, que na Linha do Tempo, em 1910, foi apresentada como a primeira mulher da História a obter uma licença de piloto e, nessa condição, participou da Primeira Guerra Mundial.
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