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    Memórias de um Sargento de Milícias (Edição Maravilhosa Nº 148) - Manuel Antônio de Almeida

    Manuel Antônio de Almeida

    EBAL
    1957
    52 páginas
    1h 44m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.8
    2 avaliações
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    Quando "Memórias de um Sargento de Milícias" surgiu como folhetim entre junho de 1852 e julho de 1853, o romantismo era o Movimento Literário que imperava no Brasil. Mas o romance de Manuel Antônio de Almeida é isento de idealização, tintas heróicas e peripécias inverossímeis tão ao gosto do Romantismo brasileiro. Manuel Antônio de Almeida nadou contra aré e fez do seu romance um prodígio de amor e ironia. A primeira situação especial encontrada no romance é o título. "Memórias" faz com que o leitor tenha a impressão de que vai ler um livro escrito em primeira pessoa, como "Memórias Póstumas de Brás Cubas" de Machado de Assis, por exemplo; mas ele encontra um romance narrado em terceira pessoa. Quanto ao estilo, o autor adere ao tom coloquial e a uma carga de comicidade, esta última característica esvazia qualquer pretensão heróica dos personagens Leonardo Pai e Leonardinho. O autor também dá preferência a situações coletivas, num espaço social que representa as camadas médias da sociedade, que hoje chamamos de pequena burguesia. No livro nós temos os trabalhadores, ciganos, gente alegre, apreciadora de festas e pagodes...a este mundo pertence o anti-herói Leonardo Filho (ou Leonardinho) que é fruto de uma pisadela e um beliscão trocados por seus pais no navio que os trazia ao Brasil. O conceito de uma "Sina" que move as personagens é vivo no romance, tanto que a vida de Leonardinho é contrabalanceada de desgraças e saídas positivas que começam dese a infância, quando o pequeno é abandonado pelos pais e encontra padrinhos protetores. Os personagens do romance são são bons nem maus, pois o Bem e o Mal não aparecem como pares antitéticos entre os quais é preciso escolher; eles são sempre relativos e remetem a forma de encarar a vida da sociedade brasileira "no tempo do rei". Apesar de dar um final feliz ao casal Leonardo Filho e Luisinha, Manuel Antônio de Almeida se recusa a relatar os fatos românticos e piegasque aconteceram depois do casamento dos dois; ele poupa o leitor dos detalhes amorosos e tristes, como a morte de alguns de Leonardo Pai e da protetora de Leonardo Filho. "Memórias de um Sargento de Milícias" é um dos mais originais romances do Romantismo brasileiro e anunciou o fenômeno literário que se cosolidou no Realismo: o escritor Machado de Assis.

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    Livinha Leal25/03/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Memórias de um Sargento de Milícias"

    "Memórias de um Sargento de Milícias" escrito por Manuel Antônio de Almeida e publicado pela primeira vez em 1852, é considerado um dos clássicos da literatura brasileira. A narrativa gira em torno de Leonardo, um jovem que transita entre diversas classes sociais, refletindo a diversidade e as contradições da sociedade da época. O humor é uma característica marcante, assim como as descrições detalhadas dos personagens, que variam de figuras pitorescas a indivíduos mais sérios e complexos. O autor utiliza a sátira para abordar temas como a corrupção, a hipocrisia e as desigualdades sociais, conseguindo assim provocar uma reflexão sobre a realidade da época, que ainda ressoa em diversos aspectos da sociedade contemporânea. "Memórias de um Sargento de Milícias" é uma leitura indispensável para quem deseja compreender melhor a literatura brasileira, bem como a história e as nuances da sociedade carioca do século XIX. É uma obra que, apesar do tempo, continua a dialogar com questões atuais, fazendo dela um clássico atemporal.

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    Manuel Antônio de Almeida

    Manuel Antônio de Almeida era filho dos portugueses Antônio de Almeida e de Josefina Maria de Almeida. Enquanto fazia Faculdade de Medicina, as dificuldades financeiras o levaram ao jornalismo e às letras. Formou-se em Medicina em 1855, mas nunca exerceu a profissão. De junho de 1852 a julho de 1853 publicou, anonimamente, os folhetins que compõem as "Memórias de um Sargento de Milícias", reunidas em livro entre 1854-55, em dois volumes, com o pseudônimo de "Um Brasileiro". Na 3ª edição, em 1863 - já póstuma - apareceu com seu nome verdadeiro. Na mesma época, ele ainda escreveu a peça "Dois Amores" e a compôs versos esparsos. Além do romance, publicou a tese de doutoramento em Medicina e um libreto de ópera. Em 1858 foi nomeado Administrador da Tipografia Nacional, onde conheceu Machado de Assis, que trabalhava como aprendiz de tipógrafo. No ano seguinte, foi nomeado 2º Oficial da Secretaria da Fazenda. Em 1861, quando se preparava para entrar em campanha como candidato à Assembléia Provincial do Rio de Janeiro, faleceu no naufrágio do navio Hermes, próximo a Macaé (RJ). Não estava interessado em sucesso nem na moda literária, por isso escreveu sem compromissos e apresentou, em tom direto, bem humorado e com tendências realistas, a sociedade de então, principalmente a gente simples que povoava o Rio de Janeiro. Seu romance fez sucesso pelo humor imparcial e amoral, o estilo coloquial e, principalmente, por seu grande talento como narrador. Mesmo assim, a crítica só percebeu, muito tempo depois. Recentemente, alguns críticos, como Paulo Rónai, apontam como influência tanto na elaboração como nas características do protagonista, Leonardo, o romance espanhol picaresco e de costumes.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Manuel Antônio de Almeida