The Entrepreneurial State: Debunking Public vs. Private Sector Myths

    Mariana Mazzucato

    PublicAffairs
    2015
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9781610396134
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    Fabio Morais30/12/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    The Entrepreneurial State: Debunking Public vs. Private Sector Myths

    Este resumo é derivado de minhas anotacoes pós leitura - pode conter erros, falhas, faltas e eventuais julgamentos de entendimento. Nesta parte inicial ainda fala muito introdutoriamente sobre o tema que vai se aprofundar mais, que é que na realidade existe quase que um mito sobre a questão do estado investir em empreendedorismo - a temática atual , muito propagandeada pelos meios de comunicação econômicos mais prestigiados é que existe uma necessidade de menos estado (como no caso da Economist, que fala no estado como um Hobbesian Leviatan e que o estado deveria intervir o mínimo possível só investindo em educação básica e saúde e deixar o resto para os revolucionários). A autora diz que na visão atual, o estado é colocado apenas para corrigir market failures, ao passo que a autora prega que pode existir uma possibilidade de um estado mais empreendedor, com uma capacidade de shaping e pushing new markets, e não apenas para corrigir falhas de mercado. Parte do que é falado é que muitas das empresas de grande sucesso atual foram gestadas pela iniciativa empreendedora do estado (cita o caso da Internet, criada dentro da ARPANET, que era do governo, o empréstimos do departamento de energia para a Tesla e a Solyndra bem no início, sendo que a última pediu falência e a primeira andou bastante (na época do livro a ação estava mais de 200 usd - hoje está quase 800 USD). Parte do que é colocado pela autora é que estas atividades de risk taking do governo quase nunca são acompanhadas dos rewards - e que de fato, o governo não de-risk qualquer setor - ele toma risco de verdade onde outros não tomariam. Agora, parte do que é colocado em risk é a questão do green revolution, que a China disse que vai ter mais de 1000 gw de energia eólica (ou solar?) até 2050 - e como ficaram os demais estados que estão diminuindo esta via empreendedora? Outra questão que ela coloca é que a própria crise financeira foi colocada pelos grandes meios de comunicação como uma crise de dívida pública, onde foi na realidade um crise de dívida privada e que sobrou para o governo pagar a conta enquanto o lado privado tomou risco absurdo e dividiu as perdas Uma frase que gostei foi que ela acha que o governo não deveria entrar onde a iniciativa privada já faz algo (ou seja, o governo para fazer algo melhor ou pior que o privado já faz não tem muito sentido) Sobre o governo entrar num setor e crowding out o setor privado, seria outra falácia, pois na realidade o governo entra primeira tomando risco enorme para outros que vierem depois (como é o caso da Nasa com foguetes e agora as empresas de Musk e Jeff Bezos se beneficiam disto) Também tem um quote de Schumpeter - que fazia tempo que não lembrava e é um pouco destas revoluções produtivas (bem atual neste momento de disrupções) Sobre o papel do estado ainda no desenvolvimento Faz uma análise do quanto de R&D é pesquisa básica e o quanto é pesquisa aplicada - nota-se que em R&D total há uma predominância de privado (67 pct) mas em R&D mais básico (que tem mais dificuldade em ter retorno e prazo mais longo) nos EUA eh 57 pct governo. Um dos quotes interessantes é de um prêmio nobel de genética que pergunta a um VC onde é que eles estavam nos anos 50 e 60 que a maior parte das pesquisas básicas foi realizada. Outro ponto que ela mostra é que na dinâmica atual, os atores da mídia usam muita a temática de menos estado e deixar a iniciativa privada livre - onde na prática e cita o caso das farmas, estas fazem muito pouco inovação em novas drogas (new molecular composites) e o que fazem é mais em me too drugs (variações de algo já conhecido). A ideia da autora é justamente uncover este hidden entrepreneurial state, que nao iria apenas corrigir market failures, mas shape o desenvolvimento e/ou criação de novos mercados (exemplo como foi internet e hoje seria biotech e clean energy). Cita o caso do Japão como um entrepreneurial state mais explícito - pela ação do MITI e também dos links entre governo e private enterprise. Começa a falar sobre alguns exemplos de como o entrepreneurial state atuou nos EUA. National Health Institute: basicamente desde 1923 investiu em dólares de 2012 quase 900 bi de USD, com budget sempre crescente todos os anos. Destaca também a importância como early funding e também de todo o network que propiciou Sintetiza bem a frase do prêmio nobel de química que perguntou ao VC da Genetech onde é que eles estavam quando toda a pesquisa foi feita Fala um pouco do blue sky research (pesquisa que não tem uma aplicação prática ou qualquer retorno esperado) e que este tipo de pesquisa básica eh muito financiada pelo governo Exemplo do DARPA, antigo nome do ARPA que era um órgão ligado ao governo e que fundeou muita da pesquisa básica. É um órgão de 1958, meio que os EUA ficaram melindrados com os URSS lançando o Sputnik e quiseram correr atrás Os próprios militares, com a questão da Bomba Atômica e outras energias como grandes financiadores de pesquisa básica que ajudou várias empresas Tem sempre um caráter que o governo é um " super tomador de risco", entrando em coisas que a iniciativa privada jamais entraria e que isto hoje pela mentalidade liberal, coloca o estado com uma qualificação de ineficiente e o privado como resolvedor de todos os problemas Tem um quote sobre Jefferson - “where governs governs least, governs best” um contraponto aos Hamiltonianos que pelo que entendi são mais pró governo e que a mentalidade pragmática dos EUA, deixou os primeiros a cargo da retórica e os segundos a cargo da prática Também fala sobre o Small Business Innovation Research, financiando early start ups - na realidade dando apoio (e era algo do Reagan, que era considerado super liberal) E também o programa de Orphan Drugs, que buscava research para doenças muito raras - daí orphan, e que isto beneficiou e muito empresas como Pfizer e outras, e que se olharmos as fontes de receita delas hoje, muito em percentual e relacionado a estes tipos de medicamentos. Conta bastante a história da Apple e como ela foi financiada por uma série de tecnologias que tiveram o apoio forte do governo em seu início. Parece haver uma certa amargura quando ela fala do papel entendido como diminuto do estado na Apple, mas tem uma mea culpa que ela coloca que a ideia não era desprestigiar a genialidade de Jobs e da Apple, mas sim deixar um pouco mais de mérito também para o papel do Estado. A Apple foi muito boa de integrar as tecnologias complexas e ter um componente de design grande em todos os produtos, mas acho que também tem que ser dado um pouco de atenção na capacidade das companhias, e aqui o caso privado comercializar isto (e este é um tipo de skill que fica para trás no estado, apesar de achar que ela fala isto muito em sidelines). Entre as tecnologias temos o painel de lcd, o capacitive sensor (tela lcd), gps, internet etc. que foram em larga escala desenvolvidas pelo estado e que a apple utilizou em seus produtos Sem falar na própria ajuda do governo, que comprou muitos dos computadores da Apple na década de 1990 para as escolas e também do próprio governo forçando e protegendo propriedade industrial da Apple ao redor do Globo. Não vou colocar aqui os detalhes que ela expõe da tecnologia pois nao acho que é o caso, mas fato que pelos estudos apresentados, muitas delas tiveram seu nascedouro por meio de pesquisas do governo e o grande ponto é como isto ficará para frente com estados que são pressionados para serem cada vez menores Ela fala um pouco sobre a Nanotech initiative, que começou no governo Clinton e foi para o Bush. O convencimento era que a pesquisa em nanotech ainda muito nascente para ter viabilidade comercial e isto não seria feito por empresas privadas, as quais tem um time frame de 2 a 5 anos para payoff, ao passo que estas tecnologias precisam de mais de 20 anos para dar frutos. Basicamente ela toca em assuntos como a socialização dos riscos e a privatização das rewards, o caso que ficou mais claro no caso do financial crisis (ou seja, o bail out dos bancos foi um exemplo disto), mas tb no caso industrial quando o governo foi o grande tomador de riscos em tecnologias muito incertas (até pela própria questão de como é a inovação básica), mas não foi o grande coletor das recompensas Um dos pontos que ela coloca é que empresas como Apple, GE e também outras, as quais se beneficiaram bastante dos investimentos feito pelo Estado, também foram muito hábeis em não pagar impostos (cita o caso da GE, que de 2010 a 2012 pagou 1,8% de corporate income, ao passo que a média do Corp income Tax é de 35%). Então, a tese da devolução do reward via taxes pelo jeito não pode ser comprovada. O grande ponto é também como colocar a questão de inovação com a questão do crescimento econômico e como se dá este link - esta é uma das preocupações estimadas para o futuro dos EUA, pois sem a força do governo para fundear a inovação básica, como ficará o crescimento e a competitividade dos EUA (que também já é motivo de alguns long reports que ela cita) A abordagem de inovação atual também é questionada, uma vez que não existem mais os grandes centros de inovação (bell labs, xerox parc e outros) que hoje se adota mais uma postura de open innovation e de spin offs (mas sendo assim, quem conseguirá financiar o longo prazo e também as tentativas e erros sendo pequeno) Outro ponto sobre a ideologia atual é que o acionista é o residual claimant, ou seja, só recebe depois de todo mundo, mas que na opinião da autora é falho, pois não é dado que os demais stakeholders têm remunerações garantidas (tipo o governo, não tem nada garantido que vai ficar com parte do reward do que faz via taxes) Como a autora coloca, seu livro é um open call para revisitarmos o papel do estado e da capacidade do mesmo, não apenas ficando fora e menor, mas sendo analisado como um potencial criador de mercados, tomando os riscos em inovação que nenhum ente privado toma Tem um recap grande de toda questão de socialização dos investimentos e privatização dos rewards que deveria ser revisto (mecanismos atuais como taxation e tinha um segundo que nao lembro) não são suficientes. Ter uma visão de que o estado apenas para nudge innovation ao invés de real push eh o que a autora coloca com base no que foi mostrado anteriormente E os desafios, anteriormente feitos por fear de um nuke da USSR ou exemplo fim dos combustíveis fósseis hoje podem se dar de outras maneiras (climate change, segurança alimentar etc) Desta forma, ela sugere que se esqueçam os mitos criados do estado (que cada vez fica menor e é pressionado para tal) e crie-se todo um novo set de policies para deixar claro e dinamizar este papel do estado.

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