"O vôo" contém, além de um depoimento aterrador, uma síntese de cunho jornalístico sobre os acontecimentos históricos decorrentes do terrorismo de Estado institucionalizado por ocasião da mais recente ditadura militar argentina. O livro estrutura-se de uma maneira que não o torna exatamente didático, mas ainda sim constitui-se em um documento de alta relevância por registrar, de forma objetiva, os fatos ocorridos em um regime autoritário e brutal, desconstruindo as justificativas para anistias, parciais ou totais, favoráveis a seus agentes.
Por vezes, se torna um pouco repetitivo, além de adentrar em fatos históricos cuja compreensão torna-se complexa, até mesmo porque a intenção de seu autor, ao que parece, foi produzir impacto na própria sociedade argentina, diante da indiferença de considerável parte dela em relação as atrocidades ocorridas.
No entanto, reitere-se que é uma obra consistente e reveladora, especialmente para aqueles que desconhecem os acontecimentos na Argentina. Também é necessário mencionar que o livro contém relatos de um agente diretamente envolvido na repressão, justamente em um dos mais conhecidos e temidos locais, a ESMA, refutando-se argumentação de que se trata de uma obra que somente expõe um dos lados da história.