Meu Sistema
"Não sou chegado a escrever um prefácio, mas neste caso creio ser necessário, porque sendo a questão nova, será um bom começo" "Meu novo sistema não surgiu repentinamente, mas sim de forma paulatina e, poderia dizer-se, orgânica. A idéia de analisar cada um dos elementos estratégicos do xadrez nasceu da intuição, mas realmente não seria suficiente, somente se eu dissesse, por exemplo, que as colunas abertas tem que ser ocupadas e aproveitadas e que o peão livre tem que ser detido. O tema exige detalhes. Pode parecer ser cômico, mas lhes asseguro, estimados leitores, que para mim o peão livre tem alma e, de modo semelhante ao homem, possui aspirações que dormem dentro dele, de forma desconhecida, e temores cuja existência somente suspeita. Isto é extensível a cadeia de peões ou a qualquer outro elemento estratégico. Sobre cada um deles darei uma série de leis e regras que vão ao detalhe, e contribuem para esclarecer os movimentos misteriosos e as ações mais comuns que se realizam nas 64 casas do tabuleiro." "A Segunda parte do livro trata-se o jogo de posições, com atenção especial ao aspecto neo-romântico. Como muitas vezes se tem dito que sou o pai da citada escola, será interessante saber o que penso sobre ela." "Os livros de xadrez são escritos de forma doutrinal crendo-se que a obra perde valor quando se coloca alguns toques humorísticos, na convicção de que o humorismo não é adequado a um livro didático. Não compartilho desta opinião a qual considero inteiramente falsa. O verdadeiro humorismo contém muitas vezes mais verdades internas que a seriedade mais sombria. Pessoalmente sou partidário fervoroso dos paralelos cômicos gosto de utilizar os fatos da vida cotidiana para, comparativamente, esclarecer algumas facetas complicadas do xadrez." "As vezes construo esquemas para ressaltar a estrutura dos pensamentos. Faço isto por razões pedagógicas e por segurança pessoal, porque senão qualquer crítico medíocre que também há - só encontraria detalhes isolados e não o conjunto ramificado que constitui o autentico conteúdo deste livro. Os diferentes temas tratados na primeira parte aparentam ser simples e este é justamente o mérito. Ter reduzido o caos a uma série de regras que guardam entre si uma relação de causas é precisamente o que me orgulha. Muito simples parecem os casos especiais da sétima e oitava linha, mas foi muito difícil achá-los e reduzi-los a cinco. O mesmo se pode dizer das colunas abertas e com maior razão das cadeias de peões." "Naturalmente, a medida que se avança, aumenta a dificuldade dado que o livro está estruturado de forma progressiva. De todo modo não utilizei estas dificuldades como escudo para defender-me de críticos superficiais. Supondo também que me atacarão porque cito partidas jogadas pessoalmente, mas também isto não me importa. Não tenho o direito, por acaso, de ilustrar meu sistema com minhas próprias partidas? Trago também ao conhecimento, algumas partidas de aficionados - bem jogadas - mas não temam, porque não são o que aparentam." "Ao publicar este volume o faço com a consciência tranqüila. Minha obra tem defeitos, porque é impossível cobrir todos os ângulos da estratégia, mas estou convencido ter escrito o primeiro livro verdadeiramente didático do xadrez."
