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    Mulheres e poder - Um manifesto

    Mary Beard

    Crítica
    2018
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788542212372
    Português Brasileiro
    4
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    Uma aula sobre empoderamento feminino Uma das mais respeitadas e conhecidas historiadoras contemporâneas, Mary Beard escreve um verdadeiro manifesto feminista. Baseado em duas palestras proferidas por ela nos últimos anos, O poder das mulheres traça as origens da misoginia desde os tempos antigos e mostra que esse ódio continua tendo voz. A autora apresenta inúmeros exemplos de como as mulheres sempre foram proibidas de terem um papel de liderança na vida civil. De Medusa a Filomena (que teve a língua cortada) passando por Hillary Clinton, Angela Merkel e Dilma Rousseff, Mary Beard faz reflexões inclusive sobre a sua própria trajetória para discutir como o papel feminino precisa ser redefinido na estrutura de poder da sociedade atual. Mais um best-seller da autora de SPQR.

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    Queria Estar Lendo12/05/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Resenha: Mulheres e Poder

    Mulheres e Poder - Um manifesto reúne duas palestras da historiadora e feminista Mary Beard, que foram transformadas em livro. Lançado aqui no Brasil pela editora Planeta, que enos cedeu um exemplar para resenha, este livro é de uma leitura poderosa e necessária. Beard é um nome reconhecido no universo feminista contemporâneo e este foi o primeiro ponto que fez eu me interessar por esse livro. O fato dela trabalhar o silenciamento feminino, ou no caso a associação ao discurso público com a voz masculina, de uma maneira a remeter aos primórdios dos mitos gregos foi uma grata surpresa. Já li alguns livros e artigos feministas - não tantos quanto eu gostaria -, mas nenhum até então tinha abordado a questão do silenciamento feminino por este ponto de vista. "Discursar publicamente era uma -se não a - característica que definia a masculinidade. Ou, para citar um famoso chavão romano, o cidadão masculino da elite poderia ser sintetizado como vir bonus dicendi peritus, "homem de bem, perito na fala"." Como a própria autora escreve, já nos mitos gregos como em A Odisséia percebemos o silenciamento das mulheres por parte dos homens, neste caso o ato de Telêmaco ao mandar a mãe - Penélope - calar-se quando esta se manifesta na frente de um grupo. A voz, principalmente quando em ambientes públicos, sempre foi masculina. Cabe ao homem a tarefa e o dom de discursar, e, portanto, a vida pública e política. É a partir de pontos e observações como este que a autora traça paralelos, desde a Grécia Antiga até os dias atuais, explicando como sempre foi negado o poder da oratória às mulheres. Que tal um pequeno teste: pense sobre os grandes discursos da história, pensou? Agora me diga quantos deles foram proferidos por mulheres? E, destes, sobre o que elas falavam e em que posição da sua lista elas apareceram? Eu, pessoalmente, pensei em dois. Mas não foram os primeiros a vir em mente. Os dois que pensei, nesse caso, pertenciam a mulheres negras e que falavam exatamente sobre o fato de ser mulher. Sojourner Truth e Chimamanda Adichie. O que reforça outro aspecto muito importante: quando, enfim, é dado as mulheres o poder da fala, a elas é resignado o ato de falar por e sobre as mulheres. A voz feminina, mesmo quando ouvida, é restringida. O público, o comum, o de interesse geral não cabe à voz feminina. Pois o ato da oratória ainda é, mesmo nos dias de hoje, masculino. "Na maioria das circunstâncias, uma mulher que falasse em público não era, por definição, uma mulher." Isto fica claro quando pensamos nas figuras femininas de poder e em como seus discursos são avaliados e moldados de maneira a ficarem mais aceitáveis ao público, ou seja, masculinos. Por que as mulheres quando em situação de poder tendem a usar terninhos, quase sempre masculinizados, enquanto que por sua vez as primeiras damas optam por saias ou vestidos? Não seria esta mais uma forma de masculinizar a mulher quando em representação de poder? Grandes mulheres da política internacional servem de exemplo nesse aspecto, como Angela Merkel que chegou a ficar conhecida pela alcunha de "a dama de ferro". Mas não apenas nas questões práticas do discurso se encontra o silenciamento feminino ou na forma como a mulher deve se apresentar e portar, ele está também nas comparações e ridicularizações feitas às mulheres que ousam participar da vida pública. Hillary Clinton foi uma que teve sua imagem reproduzida das mais diversas formas vexatórias durante sua campanha a presidência contra Trump, em alguma delas tendo até mesmo seu rosto associado a imagem de Medusa, enquanto Trump substitui Teseu, em uma cena clara de violência. Mas não é preciso ir tão longe e olhar para fora, aqui mesmo no Brasil temos exemplos claros de como são tratadas as mulheres que almejam ou alcançam o poder na vida pública. A ex-presidenta Dilma Rousseff, por exemplo, foi diversas vezes atacada não em sua figura como pessoa pública mas em sua essência feminina. Comentários quanto a sua beleza, sexualidade e afins foram feitos inúmeras vezes, até mesmo pela mídia. E independente da opinião política de qualquer um, é inadmissível olhar para os adesivos feitos com a imagem da então presidenta que foram colados em carros e que claramente insinuavam o ato do estupro e achar que "tudo bem". "Em outras palavras, não temos modelo para a aparência de uma mulher poderosa, a não ser que ela se pareça bastante com um homem." Recentemente eu e Bianca, também aqui do blog, escrevemos um artigo analisando alguns comentários feitos em uma live da presidenciável Manuela D'Ávila e as coisas ali contidas eram de cair o queixo. Alguns exemplos do que encontramos foi: vai cuidar da sua filha, não sabe nem cuidar da própria casa, é bonitinha mas não entende de nada, tá virada no cão de tão feia, anda fumando muita maconha, vai lavar uma louça, quanto tu cobra para limpar um banheiro, e até mesmo uma falando sobre ter uma vaga no puteiro da vizinhança esperando por ela. Sim, acreditem, nós analisamos 400 comentários que, em boa parte, tinham esse tipo de conteúdo. O que apenas comprova o ponto da autora, não é possível olhar para tudo isso e não identificar uma tentativa óbvia - e muitas vezes eficaz - de silenciar as mulheres. Não deixem que eles no calem. O silêncio leva a subjugação e nós já sofremos demais com isso. Tenham voz, gritem, lutem. E, para isso, se informem. O termo "feminismo" assusta muitas pessoas, eu sei, mas uma simples pesquisa basta para perceber que isso é só mais uma artimanha deles para negar nossa união e evitar nossa revolta. Afinal, se tivermos medo de nos unir como poderemos lutar? "Não se pode, com facilidade, inserir as mulheres numa estrutura que já está codificada como masculina; é preciso mudar a estrutura." Livros como Mulheres e Poder servem exatamente para isso, para abrir nossos olhos para situações que vivenciamos no dia a dia e nem percebemos, para comportamentos prejudiciais que repetimos sem nem ter conhecimento, e, principalmente, para entendermos que não há nada de novo nisso. Os mecanismos de opressão e subjugação feminina já existem há muito tempo, e cabe a nós impedir que eles continuem se reproduzindo. Mulheres e Poder - Um Manifesto é um aviso, uma reflexão e um primeiro passo. Não tenham medo de dá-lo, e não deixem que seja o último. Se a oratória é um dom masculino, deixemos então que eles ouçam nossa grito e temam nossa fúria.

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    Winifred Mary Beard

    Winifred Mary Beard (Much Wenlock, Reino Unido, 1 de janeiro de 1955) é professora da Universidade de Cambridge, membro do Newnham College, e uma das mais conhecidas e relevantes especialistas sobre a Antiguidade da Grã-Bretanha. É uma das intelectuais britânicas mais influentes, editora consultiva de Antiguidade Clássica e História Antiga do The Times Literary Supplement (TLS), além de manter o blog A Don’s Life, relacionado ao tema. Mary Beard é autora de livros de referência como Rome in the Late Republic (1985, 1999), Pagan Priests: Religion and Power in the Ancient World (1990), The Parthenon (2002), Confronting the Classics: Traditions, Adventures and Innovations (2013), O triunfo romano (2007), Pompeia, história e lenda de uma cidade (2008) e SPQR: Uma história da Roma antiga (2016). Eleita como membro da Sociedade dos Antiquários de Londres (2005), da British Academy (2010) e da Academia Americana de Artes e Ciências (2011), em 2008 recebeu o Wolfson History Prize (Reino Unido) por Pompeya, em 2013 recebeu a Ordem do Imperio Britânico e o Prêmio da Classical Association (Reino Unido). É catedrática de Literatura Antiga da Real Academia de Artes e detentora da Medalha Bodley (2016). Em 2016 a historiadora foi distinguida com o Prêmio Princesa das Astúrias de Ciências Sociais.

    47 Livros
    22 Seguidores
    Shropshire, Inglaterra

    Winifred Mary Beard