A Missão é uma distopia diferente, um livro que me deixou totalmente envolvida na história, desde as primeiras páginas. De cara o livro nos apresenta Mariana, uma jovem atormentada pelas lembranças que ainda estavam vivas em sua mente, lembranças do terrível dia, o dia que a humanidade foi devastada por uma doença que até então, ainda era um mistério sem cura.
Mariana não entende o que está acontecendo, a única informação que tem é que ela poderia ser a chave para tudo. Mas sua única vontade naquele momento era morrer, assim como toda sua família, e acabar com esse pesadelo que só tava começando. Ao decorrer das páginas conhecemos Fábio e Maurício, eles são casados e agora se veem obrigados a passar por um teste, onde saberão se serão, ou não escolhidos.
Tazur é o local onde as pessoas escolhidas irão viver, um país em meio a Floresta Amazônica. Um lugar isolado do restante do mundo, para garantir a sobrevivência da raça humana. Na cabeça de todos, Tazur será um país bom, igualitário e muito próspero, os antigos problemas não existiria, pois só as melhores pessoas seriam escolhidas.
Mas, leis foram criadas e implantadas, governantes mandavam e desmandavam dentro de Tazur, e se não bastassem, cargos e funções eram distribuídos, e como tudo tem seu lado bom e ruim, a desigualdade deu as caras, deixando a esperança de um país melhor para trás. E é a partir daqui que a história realmente acontece. Personagens importantes entram em cena e um grupo é formado para fazer justiça e tornar o país democrático. Eles estão dispostos a tudo, até mesmo dar suas próprias vidas para essa mudança se concretizar.
A história nos apresenta mulheres fortes e poderosas, mulheres líderes, como a vilã Margareth, Governante de Tazur. Uma mulher que não se sente nem um pouco intimidada perto dos outros dois Governantes, ambos do sexo masculino. Liss é outra mulher que apesar de ter me deixado com raiva em vários momentos, se desabrochou ao decorrer da leitura e mostrou brilhantemente pra que veio.
Júlio é o meu crush, gostei dele de cara e sofri muito com ele, em vários momentos. Andrew é aquele personagem que vez ou outra te tira um sorriso, e acaba deixando a leitura mais leve de degustar. E Thomas, um personagem meio chato e carrancudo, aquele famoso "sou do contra" (risos). Temos também outros personagens secundários, que vão dando vida a história e deixando um gostinho de quero mais. Resumo, dizendo que todos os personagens são únicos, cada um com suas qualidades e defeitos.
O livro é narrado em primeira pessoa, dividido entre o ponto de vista de Liss e Júlio. Em vários momentos, vários mesmo, vemos semelhanças entre o governo de Tazur e o do nosso Brasil (tristeza). A escrita da autora é clara e muito envolvente, deixando o leitor querendo mais e mais, a cada capítulo. Um enredo totalmente original e convidativo e que nos faz refletir em vários momentos. Só posso dizer que, pra quem gosta de ação, A Missão é um prato cheio!
"Os tempos mudam. E tempos desesperados exigem medidas desesperadas."