
Emilio Mira y López foi um sociólogo, médico psiquiatra e médico psicólogo, professor de Psicologia e de Psiquiatria na Faculdade de Medicina da Universidade Complutense de Madrid. A sua visão da psicologia está intimamente ligada à fisiologia, já que entendia que os estados mentais e estavam relacionados com mudanças musculares com origem nos órgãos sensoriais resultantes da interação com mundo externo e interno ao indivíduo. Membro destacado do Partido Socialista, participou, ativamente, da Segunda República Espanhola e de sua defesa contra Francisco Franco, atuando como médico e psicólogo. Com a vitória de Franco, em 1939, foi exilado e, após viver na Inglaterra, Argentina e Uruguai, fixou residência no Rio de Janeiro em março de 1947. O que motivou esta mudança foi um convite da Fundação Getúlio Vargas para que ele dirigisse o Isop (Instituto de Seleção e Orientação Profissional), ainda em fase de organização. Dois anos antes, Mira esteve pela primeira vez no Brasil, quando fez diversas conferências e ministrou o "Curso do Dasp", ocasião em que formou uma das bases da psicologia aplicada no Brasil. Ainda na Espanha, Mira publicou Teoria y práctica del psicoanalisis (1926), Manual de Psicologia Jurídica (1932) e Manual de Psiquiatria (1935). Na Inglaterra, concluiu a forma original do Psicodiagnóstico Miocinético (PM8). A partir de então, ao lado de cursos, conferências e artigos publicados em vários países, Mira escreveu numerosos livros, destacando-se: Manual de Orientación Profesional (1952), Psicologia Evolativa del Niño y del Adolescente (1941), El Nino que no aprende (1949, Como estudiar y cómo aprender (1948), Psychiatry in War (1944) e Cuatro Gigantes dei Alma (1947). Apesar dessas obras terem sido escritas sobretudo nos anos 40, Mira continuou a produzir até o fim de sua vida, deixando originais inéditos, ao falecer no Rio de Janeiro, em 16 de fevereiro de 1964.