Mohsin Hamid é um autor paquistanês e neste livro, em especial, ele nos descreve traços da cultura, política e geografia do Oriente Médio de forma sensível e surpreendente. Foi o meu primeiro livro do autor, e já quero ler outros.
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Em Passagem para o ocidente, Saeed e Nadia são um casal de jovens atormentados pelo cenário traumático e violento de sua cidade, tomada por diversos ataques e explosões mediante uma guerra civil. Saeed é mais recluso e religioso. Nadia, mais sociável e independente. Após a mãe de Saeed morrer vítima de um destes ataques na cidade, o casal decide buscar meios de fugir e sobreviver à guerra. Eles ouvem falar da existência de uma espécie de “portal” e, embora isso lhes pareça, a princípio, um golpe, decidem apostar todas as suas fichas nesta alternativa. O resultado desta escolha afetará completamente os seus destinos.
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A narrativa do livro é muito boa, uma linguagem rica em detalhes, sem deixar de ser fluida. O que mais gostei foram as deixas e críticas sobre temas profundos como o machismo estrutural, violência, a realidade dos refugiados e a saúde mental, todos apresentados de forma sutil, mas ao mesmo tempo marcante. É um ótimo livro para quem se interessa por estes temas.
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Tem uma coisa que me chamou atenção no livro e não sei se o autor fez isso de propósito. Os personagens ao longo da narrativa, contemplam bastante o céu, sempre admirando e contemplando aquele cenário de céu estrelado. Fiquei pensando se talvez, a intenção do autor era nos fazer perceber que em uma situação de refugiado você não consegue encontrar referência de beleza na terra, pois tudo o que você tem de lembrança e memória, é destruído. Resta o céu. Este, as bombas e canhões ainda não conseguiram destruir, nem tirar-lhe a paz.
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“[...] pois as vidas das cidades eram bem mais persistentes e mais suavemente cíclicas que as vidas das pessoas”.
“[...] Ao rezar ele tocava seus pais, que não podiam ser tocados de outra maneira, e tocava um sentimento de que somos todos filhos que perdem os pais, todos nós”.