Eles eram muitos cavalos é mais uma ode a cidade de São Paulo e como tantas outras ela traz o que a urbe tem de melhor e de pior. A diferença é que o autor não consegue lidar com o fascínio que sente por ela.
Os personagens referem-se de fato ao título... são fortes, belos, brutos, violentos, às vezes ingênuos e mortos de forma vil, mas impulsionantes e carregam a leitura de capítulo a capítulo. As histórias parecem soltas, mas embora haja uma certa linha do tempo, levemente vislumbrada, ela termina perdendo sua atração pela força com que a história traz através de putas, traficantes, trabalhadores, médicos, comerciantes e vários outros que aparecem, em sua maioria anônimos.
O estilo é reminiscente dos anos noventa naquela linguagem que oscila entre a crueza e o lirismo dos jornalistas da era de papel.
Foi uma boa surpresa. Recomendo.