Todos os nomes -

    José Saramago

    Companhia das Letras
    2017
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788535930436
    Português

    A história de um obscuro arquivista cujo hobby é colecionar recortes de jornal sobre pessoas famosas. Protagonizando uma espécie de enredo kafkiano às avessas, ele abandona seu labirinto de papéis e seus hábitos de retidão, movido pela obsessão de encontrar uma mulher desconhecida. Todos os nomes é a história de um modesto escriturário da Conservatória Geral do Registo Civil, o Sr. José, cujo hobby é colecionar recortes de jornal sobre pessoas famosas. Um dia sua curiosidade acabará se concentrando num recorte que o acaso põe diante dele: a mulher focalizada ali não é célebre, mas o escriturário desejará conhecê-la a todo custo. Abandonando seus hábitos de retidão, ele estará disposto a cometer pequenos delitos para alcançar o que deseja: pequenas mentiras que darão à vida uma intensidade desconhecida. Numa espécie de enredo kafkiano às avessas, o pequeno burocrata enrodilha-se na imprecisão das informações que ele mesmo acumula e acaba forçado a ganhar o mundo, a deixar os meandros de seu arquivo monumental, em busca de dados que, em última instância, mantenham alguma fidelidade à vida. A caligrafia da capa é de autoria da atriz Fernanda Montenegro.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo29/06/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A literatura dos pormenores

    A obra de José Saramago é impressionante. Esse português via na ficção uma maneira muito particular de poder comunicar-se com o mundo. A visão dele deve ser preservada e, mais importante do que isso, deve ser transmitida. Agora... preciso colocar em perspectiva a seguinte questão: o que um homem que pensou em histórias envolvendo Jesus Cristo, as agruras da Península Ibérica, uma epidemia de cegueira branca e a greve da morte poderia oferecer de novidade aos seus leitores? A resposta pode estar neste livro e ela envolve um valor caro ao autor: a simplicidade humana. É a partir desse ponto que Saramago oferece nada mais que seu habitual brilhantismo. Em "Todos os nomes" conhecemos, para ser sincero, nenhum nome, exceto o do senhor José, um simples funcionário público daquilo que seria equivalente a um cartório nacional de Portugal. E é uma personagem fascinante. Em uma história que envolve a obsessão, a atrasada burocracia dos Estados, o amor em suas sutis nuances e, como não poderia faltar, suas dúvidas a respeito da relação entre vida e morte, Saramago convida os leitores a entrar nos seus labirintos mais íntimos. Este foi apenas o segundo romance que encarei do autor, o anterior havia sido "Claraboia". Foi uma experiência muito interessante, pois aqui percebi o domínio técnico da palavra que ele tinha e como a sua ideia de um leitor participante através da pontuação é poderosa. Quero terminar dizendo duas coisas: leiam Saramago (e tentem driblar as adversidades, vale a pena) e agradeçam por ter alguém como ele em nossa língua, pois é algo a se celebrar sempre que possível.

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