Cidadela -

    Antoine de Saint-Exupéry

    Jefte
    2017
    505 páginas
    16h 50m
    ISBN-10: 8556970915
    Português Brasileiro

    Esta é a primeira tradução brasileira da edição integral de Cidadela, publicada em 1958 pela Gallimard. "Cidadela" é a Obra Prima de Antoine de Saint-Exupéry. Começou a ser escrita em 1936 e em 1944, quando o escritor e piloto foi abatido em voo sobre o Canal da Mancha, ainda não estava concluída. A alguns amigos, Saint-Exupéry dizia que essa era sua Obra Póstuma, a outros dizia que estava "escrevendo um poema". Em 1943 contava com 913 páginas datilografadas. Durante seus voos, sempre levava um "cahier" - um caderno de notas, onde escrevia suas ideias, suas histórias e sobre filosofia. A cabine de seu avião estava permanentemente cheia de papeis, notas, páginas, uma verdadeira bagunça literária, hábito adquirido na infância, quando sua mesa de estudo vivia entulhada de poemas, textos, ideias. A forma em que o livro "A Cidadela" foi escrito é absolutamente única - por um lado, é um livro sobre a Filosofia da vida, sobre o amor, sobre o respeito ao indivíduo e à humanidade, sobre a busca do sublime, do mais elevado em cada um. Como ele mesmo diz no livro: "só vale alguma coisa a vida que é trocada por algo superior a si", como as velhinhas que gastam a vista e a vida fazendo bordados para seu Deus, ou o jardineiro que troca sua vida pelas roseiras em flor. Embora seja um livro em que Saint-Ex elabora toda sua Filosofia sobre a vida, o amor, a troca, o respeito, e sobre Deus, não é um "Compêndio Filosófico". Toda a narrativa se passa no deserto do Saara, onde fica A Cidadela, cercada de areias por todos os lados, e habitada por um povo de origem árabe. A história é narrada na primeira pessoa. O Rei, ou O Líder, governa seu povo com ideais elevados, sempre aconselhando, sempre aprendendo, sempre refletindo sobre tudo que o cerca - o povo, as areias, os inimigos, o poço no oásis salvador. É uma leitura poética, ao longo de quase 500 páginas. Um poema sem rimas, mas ainda assim um dos mais lindos poemas do século. E um dos mais importantes livros de Filosofia também.

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    Henggo09/05/2023Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    Sacal 😪

    Sinceramente, eu achei um saco. Pior aínda é saber que o livro nunca foi concluído pelo autor, não passou pelo esmero de reescrita que marcou as obras de Saint-Exupéry, e mesmo assim foi publicado. Eu me pergunto se essa é uma atitude louvável, sabia? Falando como escritor, não sei até que ponto eu gostaria que uma obra minha incompleta fosse finalizada por uma terceira pessoa e então publicada. Algumas coisas, ao meu ver, devem ficar no lugar delas, no imaginário, talvez, em um lugar de conjecturas, apenas. "Cidadela" é bonito no contexto geral, cheio de partes filosóficas que fazem refletir. Porém, me pareceu mais uma conjunto de pensamentos do autor escritos ao longo de anos e anos, quase um diário de devaneios, algo íntimo que precisava de unidade, mais do que uma obra finalizada ao gosto do escritor. Não me empolguei, não mergulhei, não me senti tentado a ler novamente. A lição que fica é: reescreva tuas obras. E deixe no teu testamento a ordem para queimarem tudo o que estiver incompleto. Não alimente as carências das pessoas.

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