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    A Faca Entrou (Coleção Abertura Cultural) - Assassinos Reais e a Nossa Cultura

    Theodore Dalrymple

    É Realizações
    2018
    244 páginas
    8h 8m
    ISBN-13: 9788580333312
    Português Brasileiro
    4.3
    84 avaliações
    Leram118Lendo20Querem312Relendo0Abandonos3Resenhas13
    Favoritos8Desejados312Avaliaram84

    Quando um escritor que está entre os mais ácidos críticos culturais e os mais elegantes ensaístas de nosso tempo resolve fazer um balanço da experiência profissional a que dedicou a maior parte de sua vida, o resultado só pode ser grandioso. É o caso deste livro, o mais recente de Theodore Dalrymple na Inglaterra, e obra ideal para quem quer ser introduzido ao seu pensamento além de imperdível para quem já acompanha os seus escritos. Agora em plena maturidade, o psiquiatra de prisões aposentado revisita, com humor mas também contundência, os temas que o ocuparam em sua carreira: o valor da responsabilidade individual, sua destruição pelo assistencialismo de Estado e o caráter desumano da burocracia.

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    Ilsa Silva Lima Cunha picture
    Ilsa Silva Lima Cunha19/04/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "A culpa é minha e eu ponho em quem eu quiser".

    Para quem já conhece o escritor, o que chama mais a atenção é o quão maturo ele parece neste livro – embora, isto não sugira imprudência nos anteriores -, ele permite que conheçamos mais sua biografia em vez de apenas relatar casos de criminosos. Para a “direita” que encontrava nele uma desculpa para defender “oito ou oitenta”, ele se apresenta como alguém que ainda é capaz de sentir misericórdia. Sendo seus testemunho médico-psiquiátrico, em alguns casos, fator primordial para reduzir penas. A informação que mais me chamou a atenção foi a de que uma pessoa demora muito mais tempo para tornar-se dependente químico do que os progressistas gostam de sustentar e que os efeitos colaterais de uma abstinência destes são ínfimos comparados com a pausa de um alcoólatra. Como o título do livro sugere, Dalrymple aponta diversas desculpas esfarrapadas dadas por seus pacientes para justificar seus crimes cada vez mais banais. Eles usam a técnica da voz passiva, assim como nossos jornais o fazem, como se uma linguagem manipulada pudesse transformar o significado prático do fato. Exemplificando, Dalrymple diz que muitos presos afirmam ter “caído na galera errada”, mas nenhum assume que eles são a própria “galera errada”, ou que se aproximaram dela porque guardam afinidades. Como já fora apresentado como muita clareza em “A Vida na Sarjeta”, os homens se julgam anjos imaculados cujos crimes cometidos foram motivados por um “desarranjo” ou doença mental, embora possuíssem grande habilidade lógica no momento de suas defesas. E cita, inclusive, um outro psiquiatra que derrubaria várias dessas defesas com o argumento de que as premissas para concluir que alguém tem uma desordem mental pode ser, perfeitamente, aplicado para defender a felicidade como uma patologia. Por fim, a lição que tiramos é de que mesmo uma infância difícil de abusos e privações não são fatores imprescindíveis para fazer alguém tornar-se um criminoso; eles o fazem porque desejam coisas que não estão dispostos a trabalhar para possuir, ou no caso dos homicídios, porque possuem o direito de cometê-lo. Nas palavras do próprio Dalrymple: “Pobreza não é o mesmo que degradação”. Portanto, mesmo que os esquerdopatas defendam que o “coitadinho” mudou e não vai mais cometer certo crime, eventualmente porque não pode reincidir no crime por algum fator que o impossibilita, ele deve ser punido, visto que ninguém pode acreditar que cada cidadão possue um vale-crime, simplesmente porque ainda não viu “o sol nascer quadrado”. Como Jesus fez diversas vezes, em casos de genuíno arrependimento, o perdão deve ser concedido, mas a pena não pode deixar de ser aplicada.

    10 curtidas

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    4.3 / 84
    • 5 estrelas39%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas18%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
    Anthony M. Daniels profile picture

    Anthony M. Daniels

    Anthony Daniels é um médico psiquiatra e escritor britânico, também conhecido pelos pseudônimos Theodore Dalrymple e Edward Theberton, entre outros. Aproveitando a experiência de anos de trabalho em países como o Zimbábue e a Tanzânia, bem como na cidade de Birmingham, na Inglaterra, onde trabalhou como médico em uma prisão, Daniels tem escrito profusamente sobre cultura, arte, política, educação e medicina. Além de seu trabalho em medicina nos países já citados, Anthony Daniels já viajou extensivamente pela África, Leste Europeu, América Latina e outras regiões.

    25 Livros
    144 Seguidores

    Anthony M. Daniels