Para quem já conhece o escritor, o que chama mais a atenção é o quão maturo ele parece neste livro – embora, isto não sugira imprudência nos anteriores -, ele permite que conheçamos mais sua biografia em vez de apenas relatar casos de criminosos.
Para a “direita” que encontrava nele uma desculpa para defender “oito ou oitenta”, ele se apresenta como alguém que ainda é capaz de sentir misericórdia. Sendo seus testemunho médico-psiquiátrico, em alguns casos, fator primordial para reduzir penas.
A informação que mais me chamou a atenção foi a de que uma pessoa demora muito mais tempo para tornar-se dependente químico do que os progressistas gostam de sustentar e que os efeitos colaterais de uma abstinência destes são ínfimos comparados com a pausa de um alcoólatra.
Como o título do livro sugere, Dalrymple aponta diversas desculpas esfarrapadas dadas por seus pacientes para justificar seus crimes cada vez mais banais. Eles usam a técnica da voz passiva, assim como nossos jornais o fazem, como se uma linguagem manipulada pudesse transformar o significado prático do fato.
Exemplificando, Dalrymple diz que muitos presos afirmam ter “caído na galera errada”, mas nenhum assume que eles são a própria “galera errada”, ou que se aproximaram dela porque guardam afinidades.
Como já fora apresentado como muita clareza em “A Vida na Sarjeta”, os homens se julgam anjos imaculados cujos crimes cometidos foram motivados por um “desarranjo” ou doença mental, embora possuíssem grande habilidade lógica no momento de suas defesas. E cita, inclusive, um outro psiquiatra que derrubaria várias dessas defesas com o argumento de que as premissas para concluir que alguém tem uma desordem mental pode ser, perfeitamente, aplicado para defender a felicidade como uma patologia.
Por fim, a lição que tiramos é de que mesmo uma infância difícil de abusos e privações não são fatores imprescindíveis para fazer alguém tornar-se um criminoso; eles o fazem porque desejam coisas que não estão dispostos a trabalhar para possuir, ou no caso dos homicídios, porque possuem o direito de cometê-lo. Nas palavras do próprio Dalrymple: “Pobreza não é o mesmo que degradação”. Portanto, mesmo que os esquerdopatas defendam que o “coitadinho” mudou e não vai mais cometer certo crime, eventualmente porque não pode reincidir no crime por algum fator que o impossibilita, ele deve ser punido, visto que ninguém pode acreditar que cada cidadão possue um vale-crime, simplesmente porque ainda não viu “o sol nascer quadrado”. Como Jesus fez diversas vezes, em casos de genuíno arrependimento, o perdão deve ser concedido, mas a pena não pode deixar de ser aplicada.