Alguns livros, que tem uma grande pretensão em seu enredo, acabam por prometer muito, porém se perdem no meio dessa pretensão transformando-se em uma grandiosa narrativa confusa. “A Improbabilidade do Amor”, livro publicado em 2015 pela escritora britânica Hannah Rothschild, acaba por se torna uma leitura que promete muito, mas que pouco cumpre. Esse enredo confuso mais parece uma cacofonia de personagens aleatórios, sem grandes atrativos, pouco cativantes, e em minha opinião, pouco desenvolvidos para que o leitor possa criar qualquer tipo de vínculo, ou empatia, por qualquer um deles.
O enredo, que aborda uma infinidade de personagens, se centra um pouco mais em Annie McDee, uma mulher de 30 anos, aspirante a cozinheira e que encontra um quadro sujo numa loja de brechó nos dos subúrbios de Londres. Este quadro do século XVIII é “A Improbabilidade do Amor”, a pintura do francês Antonie Watteau, que há décadas estava perdida no obtuso círculo de comercio da arte. Annie é a típica personagem que se martiriza a toa, sem graça, sem sal, sem vida, ela é uma chef de cozinha talentosa, porém falida, que fica a maior parte do livro chorando as pitangas pelo ex namorado, e pelos fracassos da vida feito uma bebê chorona (aaaafff... zero paciência). Enquanto Annie chora as pitangas e o Jesse, o pretendente romântico dela tenta conquistá-la, o livro passeia pelos personagens dos mais variados e irrelevantes que giram entorno do interesse pelo quadro de Annie, incluindo a família Melling, formada de negociantes inescrupulosos, o gangster dramático chamado Vlad e o seu assistente Barty (uma cópia estereotipada de um Elton John do mundo das artes), a ambiciosa magnata da arte idosa Sra. Aplledore e tantos outros personagens sem graça.
Descrições superficiais sobre o amor em meio a uma mistura de culinária Masterchef e um manual da subjetividade da História da arte, este livro começa a degringolar ainda mais, fechando com um final pastelão aos moldes “novela das 7”. O livro tem grandes pretensões, porém se torna confuso, – onde até o quadro de Watteau tem um espaço para “falar” – mas acaba por ser uma “salada sem sal”, um enredo forçado, com excesso de descrições subjetivas, clichês sem graça, personagens mal desenvolvidos e uma comicidade que não convence. A narrativa não chega a irritar tanto, mas o livro enche uma boa quantidade de linguiça com todo aquele quadro descritivo (que no final não leva a coisa alguma). O plot twist seria até interessante – se os personagens tivessem um tipo de carisma, ou fossem interessantes –, mas como o leitor não se importa tanto com os personagens, o plot se torna ineficaz. Não foi uma experiência de leitura maravilhosa, nem tampouco empolgou. É aquela coisa, no final tanto faz ler ou não ler. É uma história sem sal e confusa com um final tragicômico.