"Meu nome é Stephen Leeds e sou perfeitamente são. Minhas alucinações, contudo, são todas bem doidas"
Stephen Leeds é uma pessoa fora do comum - até mesmo para as pessoas fora do comum. Ele possui uma condição mental, que assemelha-se à esquizofrenia, que faz com que ele projete pessoas imaginárias e viva como se fossem reais. Porém, nunca se esquecendo de que não são.
Nesse livro, temos 3 novelas a respeito de Legion, um homem que projeta mais de 50 pessoas em sua mente, cada uma com sua própria fisicalidade, psiqué, voz e função narrativa. Cada uma dessas pessoas, ou cada "aspecto", como ele chama, armazena conhecimentos específicos, o que confere a Legion algumas habilidades especiais. E esses conhecimentos são utilizados em investigações de casos incomuns.
A criatividade característica do autor faz toda a diferença na história. Temos pouco lugar-comum aqui e, diferentemente de outras referências parecidas (como o próprio Legion dos X-men), a condição do protagonista envereda pelo natural em detrimento do sobrenatural.
O que o autor faz na terceira novela é bem bonito. Não só temos uma conclusão satisfatória para uma fantasia contemporânea bem competente, como o autor se insere na história de modo metalinguístico (mas não literal, deixo claro!).
Se eu tivesse que apontar problemas nesse livro, seria o seu formato. Em diversas oportunidades, o autor disse que as novelas desse livro foram pensadas para funcionarem como roteiros para TV, e isso fica bastante claro. As histórias são curtas, absurdamente sintetizadas e com um cheiro de série procedural (aquelas de "caso da semana"). Graças a isso, o autor tem poucas oportunidades de trabalhar mais os conflitos internos do protagonista e o próprio funcionamento da condição psíquica.
Legion é inventivo, cativante e dramático no ponto (ainda que eu quisesse um pouco mais disso). Recomendo muito a leitura.