“Incursão criteriosa e teologicamente sofisticada às fileiras do neoateísmo, a obra de Feser é uma polêmica vigorosa e culta contra a última safra de ateus de província – Richard Dawkins, Daniel Dennett e companhia limitada – que, nos últimos anos, ofereceu ao público entretenimento demais e esclarecimento de menos. É uma objeção séria, desenvolvida com ardor, à tentativa mais recente de impor uma ortodoxia desumanizadora de analfabetos religiosos.” Roger Kimball, editor, The New Criterion
A Última Superstição - Uma Refutação do Neoateísmo
Edward Feser
A última superstição
Edward Feser é um filósofo americano e professor de filosofia do Pasadena City College. Suas principais áreas de pesquisa são filosofia da mente, filosofia moral e política e filosofia da religião. Nesse livro, o autor ataca o cerne do pensamento que o ateísmo se sustenta, que é o materialismo e suas diferentes formas. Ao invés de refutar as falácias comumente ditas pelos ateus, Feser vai no coração do argumento e destrói o que sustenta a visão de mundo que os ateus tem (ou pelo menos deveriam ter se fossem coerentes). Partindo da visão da filosofia clássica de Aristóteles, posteriormente desenvolvida por Tomás de Aquino e os escolásticos, Feser demonstra de modo bem inteligente como o ateísmo é falho e incoerente em explicar a realidade, e em como a filosofia moderna ajudou a difundir esse erro com base numa antireligiosidade infantil. O conflito entre fé e ceticismo é filosófico, e suas ideias que fundamentam esse conflito precisam ser analisadas. Feser se apoia no realismo aristotélico contra o nominalismo, a velha briga entre universais e particulares. Ato e potência, forma e matéria, causas finais, pode parecer filosofia abstrata demais para ser aplicadas a realidade, mas uma vez que se entende pelo menos um pouco sobre isso, vê-se que de fato o horizonte de expande. Feser também analise as famosas 5 vias de Tomás de Aquino, e mostra que nem de longe a tentativa de refuta-las feitas por ateus como Dawkins e cia, chegou perto de faze-lo, mas pelo contrário, só demonstra a total incompreensão da filosofia de Aristóteles da qual Tomás utiliza. De fato, tive o (des)prazer de ler várias partes do livro de Dawkins (Deus, um delírio), e sua compreensão das 5 vias é tão tola, que muito me espante que alguém as leve a sério. Feser, falando sobre o projeto materialista: " Mas esse projeto foi erigido sobre uma mentira. É como no famoso provérbio confuciano: “Quando o dedo aponta para a Lua, o idiota olha para o dedo.” O secularista moderno está como que completamente obcecado pelo dedo, o que não é surpresa, visto que se, como ele erroneamente supõe, não há no mundo nenhuma natureza permanente e nenhum fim natural, nenhuma causa formal e nenhuma causa final, naturalmente coisa nenhuma pode apontar para nada que transcenda a si mesma. Na verdade, transcendendo a si mesmo, o mundo material aponta para Deus, mas o secularista só vê o mundo material. Transcendendo a si mesmo, o lado material da natureza humana aponta para uma alma imaterial e imortal, mas o secularista só vê corpo e cérebro. Transcendendo a si mesmo, o ato sexual aponta para o casamento e a família, mas o secularista só vê o ato sexual. Et cetera , et cetera . Que mais podemos dizer? É a lua, imbecil." Esse livro é uma aula de filosofia clássica, mostrando que a estrutura que sustenta o cristianismo sobrevive inabalada, mesmo em meio a um mar de críticas da filosofia moderna, e razão disso, como demonstrado, é que boa parte dessa filosofia moderna é incoerente. Não deixe de conferir e aprender muito com esse livro!
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