Sinhana - Biografia de Uma Escrava Quilombola

    Marco Paulo Chaves

    Marco Paulo Chaves
    2017
    54 páginas
    1h 48m
    ISBN-10: B0786C8FZK
    Português Brasileiro

    A biografia de Sinhana nos traz a vida de uma negra, nascida escrava na primeira metade do século XIX no Brasil Colônia, que morreu no tronco aos 25 anos de idade. Sua história não só nos mostra todo o sofrimento vivido por uma escrava no Brasil, como também a bela amizade entre duas mulheres em posições sociais completamente antagônicas: Sinhá Clarice e sua escrava Sinhana. A escravidão no Brasil durou mais de 300 anos. Ao todo, foram trazidos da África para o Brasil mais de 5,5 milhões de negros para o trabalho escravo. Desse montante, 650 mil morreram só durante a travessia, ou seja, mais de 10%. Sem contar os milhares de escravos que morreram em território brasileiro pelas torturas, castigos e assassinatos. Por mais que livros, filmes e conteúdos digitais tentem nos mostrar o que foi a escravidão, e esse livro não é muito diferente neste sentido, apenas teremos uma ínfima noção da realidade. Só quem de fato viveu como escravo sabe o que foi uma das maiores atrocidades da história da humanidade. Essa é a sua história, em suas próprias palavras.

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    João Victor Moreira Rebouças26/03/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Infelizmente são poucas as biografias de escravos que temos a possibilidade de ler, sendo essa e a autobiografia de Baquaqua as duas únicas até hoje escritas e que temos acesso. Sinhana é fruto de psicografia e mostra o sofrimento de uma escrava morta aos 25 anos no tronco. Da mesma forma como em todo mundo as histórias dos campos de concentração são contadas para que jamais esqueçamos as atrocidades nazistas, esse tipo de leitura é importante para que jamais esqueçamos nossas próprias atrocidades, que produzem frutos até hoje. A nota máxima é muito mais pelo significado e importância do livro. A história levaria um quatro, tirando a média fica uma coisa pela outra. Segue um trecho referente aquele período para finalizar minha resenha: “Espero nunca mais voltar a um país escravagista. O estado da enorme população escrava deve preocupar todos que chegam ao Brasil... Perto do Rio de Janeiro, minha vizinha da frente era uma velha senhora que tinha umas tarraxas com que esmagava os dedos de suas escravas. Em uma casa onde estive antes, um jovem criado mulato era, todos os dias e a todo momento, insultado, golpeado e perseguido com um furor capaz de desencorajar até o mais inferior dos animais. Vi como um garotinho de seis ou sete anos de idade foi golpeado na cabeça com um chicote (antes que eu pudesse intervir) porque me havia servido um copo de água um pouco turva… E essas são coisas feitas por homens que afirmam amar ao próximo como a si mesmos, que acreditam em Deus, e que rezam para que Sua vontade seja feita na terra! O sangue ferve em nossas veias e nosso coração bate mais forte, ao pensarmos que nós, ingleses, e nossos descendentes americanos, com seu jactancioso grito em favor da liberdade, fomos e somos culpados desse enorme crime.” (Charles Darwin, A Viagem do Beagle)

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