A primeira coisa que precisamos tirar do caminho sobre esse livro é de que é uma história adulta, com um linguajar bem pesado, cenas explícitas e um escracho proposital de um retrato muito promíscuo da sociedade, tendo como foco o povo carioca. Tendo isso em vista, é um livro cheio de trejeitos e sotaques, expressões locais e muito palavrão.
Se tudo isso tivesse um encaixe perfeito com a história, eu estaria aqui fazendo uma resenha bem diferente, mas o excesso de absolutamente todos os artifícios, me trouxe uma experiência que beira o ridículo de tão ruim. Ao fim da história – que não tem um final bom para salvar alguma coisa, o sentimento que eu tinha com o que eu estava lendo era nojo. Não pelas cenas de sexo, não por nosso protagonista padre gostar de travestis, nada disso. Mas pela forma desnecessária com que tudo isso foi usado, repetido e atirado constantemente em cima do leitor.
Se eu tivesse que resumir a minha experiência: diria que todo o cenário do livro, desde as palavras, o trato com as mulheres, a fala, é o retrato de como a cabeça de um homem bem escroto funciona. E ai, quando concluí a leitura, ainda tentei encontrar o propósito do que eu li. Um retrato do povo carioca? Não sei se o povo carioca vai ficar feliz com essa conclusão; Uma crítica social? Muito mal feita ao ser rodeada de tanto elementos degradativos; Uma comédia? Talvez. Se sirva rir pra não chorar.
“As mentiras mais convincentes eram contadas diante do espelho.”
Até metade do livro eu ainda estava levando em consideração uma guinada, mas ela não veio. O final, como já mencionei, também é aquele bem típico onde as peças importantes se salvam para termos uma continuação, que eu, definitivamente, não pretendo ler.
E, algo que também é importante mencionar é a salada de frutas – ou de lendas – que temos aqui. Sabe tudo que você pode imaginar mitologicamente? Tá aqui, jogado no liquidificador e colocado na história onde parecer conveniente. Se se salva alguma coisa, talvez seja a criatividade de fazer isso (não que tenha funcionado).
Judas tem sangue celestial, mas é um padre que gosta de travestis e, portanto, não é um padre nada tradicional (ou como a gente esperaria que um padre fosse). É claro que ele é perturbado e tem um passado horrível vem que vai ser revelado pra gente naquele momento onde ele precisa se justificar de ser do jeito que é. A única coisa que gostei nele foi a capacidade de invocar os estigmas de Cristo em si. Porém no ato final tem algo que acontece em relação a isso que não desceu.
Na outra ponta temos a Júlia, que por si só já tem algo especial mas, mesmo sabendo que nem tudo no mundo se resume ao “normal”, é relutante até o último segundo para acreditar no que está bem embaixo do nariz. Um legitimo caso de “só vale o que eu conheço” que demora muito pra se resolver. E o vilão é o clássico caso do garoto prometido que vem ser o anticristo que já vemos retratado em várias outras obras, só que aqui adaptado ao contexto.
Deuses Caídos é um livro nacional e me entristece muito dizer a vocês que foi uma das piores leituras que fiz esse ano. Fiz a leitura em conjunto com mais treze pessoas dentro do nosso clube do livro do Vórtice Fantástico e as impressões foram muito semelhantes, com algumas exceções apenas de pessoas que não odiaram por achar engraçado. Então, caso você se aventure nessa história, leve em consideração os aspectos mencionados e depois me conta o que achou!